Idoso agredido no Rio só fez perícia após ir à Corregedoria da Polícia Civil

Idoso agredido no Rio só fez perícia após ir à Corregedoria da Polícia Civil

Vítima de violência política relata negativas de atendimento no IML Um idoso de 69 anos, que alega ter sido vítima de violência política após ser identificado como apoiador do PT, enfrentou dificuldades para realizar o exame de corpo de delito. Mauro Figueiredo Rocha Dias da Costa foi agredido em Copacabana, na Zona Sul do Rio […]

Resumo

Vítima de violência política relata negativas de atendimento no IML

Um idoso de 69 anos, que alega ter sido vítima de violência política após ser identificado como apoiador do PT, enfrentou dificuldades para realizar o exame de corpo de delito. Mauro Figueiredo Rocha Dias da Costa foi agredido em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na noite de 11 de junho, e relata ter sido chamado de “petista” e ameaçado enquanto apanhava.

Segundo o relato de Mauro, a agressão ocorreu quando ele voltava para casa, carregando uma mochila com adesivo da deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Ele afirma que os agressores gritavam “Bolsonaro” e o acusavam de “prejudicar muita gente”. A vítima descreve que foi imobilizada e, em seguida, atingida com socos e chutes, chegando a ser jogada contra o portão do prédio onde mora.

O caso, inicialmente registrado como lesão corporal, ganhou novas frentes de apuração. Além da agressão, Mauro denuncia que o porteiro do prédio não abriu o portão durante o ataque e que só conseguiu realizar o exame de corpo de delito após recorrer à Corregedoria da Polícia Civil, após duas negativas de atendimento no Instituto Médico-Legal (IML).

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Agressão em Copacabana e dificuldades no atendimento médico

Mauro Figueiredo Rocha Dias da Costa, de 69 anos, contou que estava voltando de uma peça de teatro quando percebeu que estava sendo seguido. Ao se aproximar de seu prédio, em Copacabana, foi abordado por três pessoas que o agrediram. “Eles falavam: ‘Bolsonaro, Bolsonaro. Vai morrer, seu petista safado. Você já prejudicou muita gente'”, disse o idoso.

Ele relatou que uma das mulheres o imobilizou com um golpe conhecido como “mata-leão”, enquanto os outros o agrediam com socos e chutes. Mauro afirma ter sido jogado contra o portão do edifício e que sentiu dores no corpo, rosto, cabeça, costas e dentes. Ele acredita que a ação foi uma emboscada, pois os agressores pareciam saber onde ele morava.

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Porteiro e negativas de atendimento no IML

Um ponto que chama a atenção no relato é a conduta do porteiro do prédio. Mauro alega que o funcionário estava presente, viu a agressão, mas não abriu o portão para ele, mesmo com seus pedidos de socorro. O ataque só cessou com a intervenção de um homem que passava pela rua.

Após conseguir entrar no prédio e registrar a ocorrência na delegacia, Mauro foi orientado a procurar atendimento médico. Ele passou por exames em um hospital particular antes de ir ao IML para o exame de corpo de delito. No entanto, o idoso afirma que foi negado atendimento duas vezes no instituto, mesmo com a guia da delegacia.

Intervenção da Corregedoria garante perícia

Segundo Mauro, na primeira tentativa, um perito teria se recusado a atendê-lo. Na segunda, o atendimento foi negado porque ele apresentou uma cópia autenticada da identidade, em vez do documento original. “Eu falei: ‘Doutor, o senhor pode me atender? Estou todo machucado. Fui encaminhado pela delegacia para fazer o corpo de delito’. Ele virou para mim, de forma fria, curto e grosso, e falou: ‘Não vou te atender'”, relatou.

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Frustrado com as negativas, Mauro procurou a Corregedoria da Polícia Civil. Lá, um servidor considerou a situação inadequada e providenciou um novo encaminhamento para o IML. “A pessoa que me atendeu na Corregedoria falou: ‘Isso é um absurdo. Eles tinham que te atender mesmo se fosse uma xerox sem autenticação’. Aí fez um encaminhamento para que eu fosse atendido no IML”, contou.

Somente na terceira ida ao IML, com o encaminhamento da Corregedoria, Mauro conseguiu realizar o exame de corpo de delito. Ele acredita que a violência sofrida foi mais grave do que lesão corporal, considerando-a uma tentativa de homicídio. A Secretaria de Estado de Polícia Civil foi procurada, mas não retornou até a publicação da reportagem.

Fonte: G1

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