Crise se aprofunda no Rio: operações da PF abalam o PL e o futuro de Cláudio Castro
A recente ofensiva da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), intensificou a crise no principal reduto eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro passaram a ser vistas por aliados de Flávio como um risco significativo para a sustentação do palanque bolsonarista no estado.
O cenário político se deteriorou após a PF cumprir mandados em uma investigação sobre a aplicação de aproximadamente R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência em operações ligadas ao Banco Master. Essa ação ocorreu poucos dias depois de outra operação contra Castro, relacionada à sua suposta atuação em favor do grupo Refit. No PL, a sucessão de investigações reforçou a avaliação de que o ex-governador se tornou um ativo eleitoral cada vez mais problemático.
Cláudio Castro já se encontra inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apontou abuso de poder político e econômico em contratações ligadas à Fundação Ceperj e à Uerj em 2022. Embora aliados esperassem uma reversão da situação para que ele pudesse disputar o Senado, as novas operações levaram dirigentes do PL a discutir abertamente alternativas para a vaga.
Novas candidaturas em discussão no PL
Diante do cenário de instabilidade, o Partido Liberal (PL) tem considerado nomes para substituir Cláudio Castro na disputa pelo Senado. Entre os pré-candidatos que ganham força internamente no partido estão os deputados Sósthenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ). A escolha de um novo nome visa mitigar os danos eleitorais causados pelas investigações que atingem o ex-governador.
Impacto na candidatura de Douglas Ruas e alianças políticas
O desgaste de Cláudio Castro também ameaça diretamente o projeto de Douglas Ruas (PL) ao governo estadual. Ruas, presidente da Assembleia Legislativa e ainda pouco conhecido pelo eleitorado fluminense, apostava na associação com Castro para promover sua candidatura com o discurso de “continuidade”. No entanto, a ligação entre os dois tem sido explorada por adversários, especialmente pelo grupo do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao Palácio Guanabara.
A situação política no Rio foi ainda mais alterada com a renúncia de Castro, a prisão do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União) e a ascensão do desembargador Ricardo Couto ao governo interino. Couto tem promovido auditorias e revisões em contratos da gestão anterior, ampliando o desgaste do grupo político de Castro. O governador interino recebeu apoio do presidente Lula (PT), que criticou a gestão anterior e mencionou a possibilidade de “milicianos” assumirem o governo.
Preocupação com a ligação com Daniel Vorcaro
A preocupação dos bolsonaristas vai além da situação de Castro. Integrantes do PL temem que a investigação envolvendo o Banco Master reforce associações com áudios já divulgados de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. A análise da PF sobre diálogos entre Castro e o banqueiro pode ampliar o desgaste em torno do senador, justamente em um momento em que ele busca se firmar como principal nome da extrema-direita para a disputa presidencial de 2026.
Fonte: G1
