Flávio Bolsonaro articula candidatura do irmão Carlos ao Senado por Santa Catarina
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, participou de um evento em Santa Catarina neste sábado (9) para lançar candidaturas do seu grupo político. O Partido Liberal (PL) confirmou que disputará as duas vagas ao Senado pelo estado com a deputada federal Carol de Toni e o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro. Carlos transferiu seu domicílio eleitoral para Santa Catarina, numa estratégia para ampliar a representatividade da direita no Senado Federal.
A decisão de lançar Carlos Bolsonaro ao Senado gerou desentendimentos na direita catarinense. Inicialmente, a chapa do PL para o Senado seria composta por Carol de Toni e o atual senador Esperidião Amin (PP-SC), que tentaria a reeleição. Com a entrada de Carlos, Amin se afastou do governador Jorginho Mello (PL) e se alinhou ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que concorre ao governo do estado.
Durante o evento, Carlos Bolsonaro e Carol de Toni trocaram elogios, indicando uma aliança para a disputa das cadeiras no Senado. “Obrigado por toda consideração e simpatia que você tem por mim. Você é fundamental para que tudo isso aqui esteja acontecendo”, disse Carlos. Carol respondeu: “Se Deus quiser, estaremos juntos nesse desafio de fazer o que tem que ser feito no Senado”.
Mudança de estratégia e críticas ao governo federal
A transferência de domicílio eleitoral de Carlos Bolsonaro faz parte de um plano da família para garantir uma eleição mais acessível para o filho de Jair Bolsonaro, visando aumentar o número de senadores alinhados à direita. No Rio de Janeiro, a disputa é considerada mais acirrada, com o ex-governador Cláudio Castro (PL) como candidato.
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevendo que o partido cairá na “insignificância” a partir do próximo ano. Ele também mencionou o pai, Jair Bolsonaro, afirmando que sua “missão” ainda não acabou e que o ex-presidente “subirá a rampa do Planalto” em 2027.
Contradições sobre mandato presidencial
Em declarações recentes em Santa Catarina, Flávio Bolsonaro também deu a entender que poderia buscar um governo de oito anos, com dois mandatos presidenciais. A declaração contradiz falas anteriores do senador, que sinalizava a intenção de cumprir apenas um mandato. Em março, ele chegou a protocolar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que proibiria a reeleição para presidente, com aplicação a partir das eleições de 2026.
A mudança de discurso sobre a reeleição de Flávio Bolsonaro pode ser uma tentativa de atrair apoio do centro político para seu projeto presidencial. Jair Bolsonaro, seu pai, utilizou estratégia semelhante em 2018, defendendo o fim da reeleição, mas concorreu à reeleição em 2022, sendo derrotado por Lula.
Fonte: g1.globo.com
