Bolsonaristas buscam Davi Alcolumbre para resolver impasse na sucessão do governo do Rio de Janeiro
O grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados bolsonaristas no Rio de Janeiro estão articulando o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para solucionar o impasse em torno da sucessão do governo fluminense. A estratégia visa garantir a manutenção do poder no estado para o grupo, que vê a retomada do governo estadual como crucial para seus planos políticos.
Para exercer pressão sobre o tema, as bancadas do PL, União Brasil e PP na Câmara e no Senado planejam a obstrução dos trabalhos no Congresso nesta semana. Essa manobra pode impactar os planos do governo Lula, que tem urgência em aprovar o fim da escala 6×1, de olho nas eleições de outubro.
A estratégia foi discutida durante uma viagem de Flávio Bolsonaro ao Rio de Janeiro no último fim de semana, onde ele participou de um culto religioso. Na ocasião, estiveram presentes figuras importantes como o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), o ex-governador Cláudio Castro (PL), o líder do PL na Câmara, Sostenes Cavalcante (RJ), e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Douglas Ruas (PL).
Pressão no Congresso e diálogo com o STF
Flávio Bolsonaro pretende conversar com Davi Alcolumbre ainda esta semana para solicitar sua intervenção junto aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso da sucessão no Rio. Como Alcolumbre estará em viagem internacional até quarta-feira (6) e depois seguirá para Santa Catarina, a conversa pode ocorrer por meio de um interlocutor. Paralelamente, o primeiro-vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), deve dialogar com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).
O objetivo dos bolsonaristas é convencer Lira e Alcolumbre de que eles podem utilizar a institucionalidade de seus cargos para buscar uma solução junto ao STF. Argumentam que uma obstrução generalizada seria prejudicial aos trabalhos legislativos, especialmente a poucos meses das eleições. A Câmara dos Deputados, por exemplo, realiza nesta terça-feira (5) a primeira reunião de uma comissão especial destinada a debater o fim da escala 6×1, uma prioridade do governo federal.
Disputa pela cadeira de governador e o papel do STF
O grupo de Flávio Bolsonaro está focado em como assegurar que Douglas Ruas, pré-candidato do PL ao governo, assuma legitimamente o cargo, mesmo que de forma provisória. O plano é que Ruas ocupe a posição até a eleição, garantindo assim um palanque próprio e o controle da máquina estatal. A intenção é afastar o atual ocupante do cargo, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, que assumiu interinamente após a renúncia de Cláudio Castro no fim de março.
O impasse se deve à renúncia prévia do vice-governador Thiago Pampolha e à prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, que o colocariam na linha sucessória. Sostenes Cavalcante ressalta que o objetivo não é uma decisão favorável a Douglas Ruas, mas sim que o STF defina rapidamente a sucessão, evitando que um desembargador sem legitimidade eleitoral permaneça no cargo por tempo indeterminado.
Julgamento no STF e os modelos de sucessão
Aliados de Flávio Bolsonaro suspeitam de uma articulação entre o presidente Lula (PT), o ministro do STF Flávio Dino e o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) para manter Ricardo Couto no cargo. O julgamento no STF que definirá a forma de escolha do novo governador do Rio está parado desde que Dino pediu vista dos autos. Apesar disso, os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia já votaram a favor de uma eleição indireta, acompanhando o voto de Luiz Fux.
O placar parcial no Supremo Tribunal Federal é de 4 a 1 pela eleição indireta, com Cristiano Zanin sendo o único voto a favor do modelo direto. Até que o julgamento seja concluído, o comando do Palácio Guanabara permanece com Couto. Na eleição direta, o governador é escolhido pelo voto popular, enquanto na indireta, a escolha é feita pelos deputados estaduais da Assembleia Legislativa.
Fonte: G1
