Auditor Investigado por Liberar Carga Proibida no Porto do Rio
Um auditor da Receita Federal está sob investigação da Polícia Federal e da Receita Federal por supostamente ter liberado a entrada de 144 mil latas de energéticos no Brasil, apesar de a carga ter sido previamente proibida pela Anvisa. A liberação irregular, ocorrida em 2022, teria rendido ao servidor uma propina de R$ 20 mil, segundo apuração do g1. A operação “Mare Liberum” visa desarticular um esquema de corrupção no Porto do Rio de Janeiro.
A investigação, que começou após uma denúncia em fevereiro de 2022, aponta indícios de irregularidades em quase 17 mil declarações de importação entre julho de 2021 e março de 2026, envolvendo produtos diversos, como alimentos e equipamentos. A estimativa é de um prejuízo de cerca de meio bilhão de reais aos cofres públicos devido à liberação indevida de contêineres.
Na última semana, a operação deflagrada pela PF, Receita Federal e MPF cumpriu 45 mandados de busca e apreensão, resultando no afastamento de 25 servidores da Receita. Durante as buscas, foram encontrados milhões de reais em espécie escondidos em residências de auditores, incluindo dinheiro debaixo de camas e dentro de pianos. Além disso, foram apreendidos celulares, veículos de luxo e relógios.
Escopo da Operação “Mare Liberum”
A Operação “Mare Liberum” apura um esquema de propinas no Porto do Rio de Janeiro. As autoridades suspeitam que alimentos sujeitos a controle sanitário, que não poderiam entrar no país sem anuência dos órgãos competentes, acabavam sendo liberados devido a práticas ilícitas. A carga de energéticos proibidos, por exemplo, estava distribuída em 6 mil caixas.
Apreensões e Valores Envolvidos
Durante a operação, foram apreendidos mais de R$ 5 milhões em dinheiro vivo em diferentes moedas, 54 celulares, 17 veículos e 11 relógios de luxo. Em um dos casos, R$ 200 mil foram encontrados debaixo de uma cama em Copacabana, e em outro, R$ 830 mil estavam dentro de um piano na Barra da Tijuca. Um analista da Receita foi preso em flagrante por posse ilegal de arma.
Impacto e Medidas Judiciais
A Justiça determinou o afastamento de 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários de seus cargos, além do sequestro de até R$ 102 milhões em bens dos envolvidos. Nove despachantes foram proibidos de exercer atividades no Porto do Rio. A investigação conjunta busca combater o crime organizado e garantir a integridade do comércio exterior no país.
Fonte: G1
