Falta de segurança persiste na Penha após megaoperação policial
Seis meses após uma grande operação policial na comunidade da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, a situação de segurança na região pouco mudou. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Fogo Cruzado nesta terça-feira (28) aponta que o número de tiroteios registrados no bairro se manteve praticamente o mesmo.
A operação, que visava combater o Comando Vermelho, resultou em 122 mortes e, segundo o levantamento, não trouxe uma redução significativa na violência armada. O estudo indica que a estratégia utilizada pode ser ineficaz a longo prazo.
Os dados do Instituto Fogo Cruzado revelam que, nos seis meses posteriores à megaoperação, foram contabilizados pelo menos 35 tiroteios na Penha. Comparativamente, nos seis meses que antecederam a ação policial, o número registrado foi de 37 incidentes, uma diferença mínima.
Operações policiais e a persistência da violência
Dos 35 tiroteios documentados após a operação, 40% ocorreram durante ações policiais. Neste período, 18 pessoas foram baleadas na região. A pesquisa levanta questionamentos sobre a efetividade das operações focadas apenas no combate direto, sem abordar as causas estruturais da criminalidade.
Críticas à estratégia de segurança pública
Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio, criticou a abordagem policial. “Essa política de segurança de uma mesma maneira, baseada no confronto, baseada no conflito”, afirmou Nhanga, destacando que essa tática tem sido repetida por décadas no Rio de Janeiro.
Segundo Nhanga, é fundamental que as ações de segurança pública passem a atacar a estrutura financeira e organizacional das organizações criminosas. “Se não houver uma desarticulação financeira, uma desarticulação política, uma desarticulação que, de fato, mire na estrutura organizacional dessas redes criminosas, de nada vai adiantar uma operação com 100, com 200, com 300 mortos”, ressaltou.
O especialista defende que o foco deve ir além dos “soldados do crime” e alcançar a complexa teia que sustenta o crime organizado, que muitas vezes opera de forma transnacional.
A reportagem buscou contato com o governo do Rio de Janeiro para obter um posicionamento sobre os dados do levantamento, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
Fonte: g1
