Inovação no Litoral Fluminense
Pescadores do Rio de Janeiro estão encontrando um novo aliado em suas jornadas de trabalho: a energia solar. Projetos inovadores estão equipando embarcações com painéis solares, promovendo não apenas a sustentabilidade ambiental, mas também garantindo mais segurança e rentabilidade para os profissionais que dependem do mar para viver.
A mudança representa um alívio significativo para muitos, que antes enfrentavam os desafios de geradores a combustíveis fósseis, como poluição sonora e do ar, além da limitação de autonomia. A transição para a energia limpa tem se mostrado um divisor de águas, otimizando rotinas e agregando bem-estar.
Iniciativas como o SustentaMar, financiado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), e o Pescando Sol, em São Francisco de Itabapoana, lideram essa transformação, com o apoio de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC Frade).
SustentaMar: Luz e Autonomia em Arraial do Cabo
Em Arraial do Cabo, o projeto SustentaMar tem beneficiado pescadores que se dedicam à captura noturna de lulas. Anteriormente, a iluminação dos barcos dependia de geradores a diesel ou gasolina. Paulo Henrique do Rosário Correia, presidente da Associação dos Verdadeiros Pescadores e Turismo de Barcos de Bocas Abertas, relata o incômodo com os antigos equipamentos: “Não aguentava mais respirar aquele ar poluente e ter aquele barulho no ouvido”.
A instalação de kits fotovoltaicos, compostos por placa solar, bateria e holofote refletor, em 55 das 70 embarcações da associação, mudou esse cenário. Os painéis solares funcionam a noite inteira, eliminando a necessidade de recargas frequentes e reduzindo o tempo gasto com a manutenção dos equipamentos. Isso se traduz em mais autonomia em alto-mar, redução de custos e maior tempo de descanso para os pescadores.
O projeto também inclui um posto de carregamento de baterias solares, com custo reduzido pela metade em comparação aos postos de combustível. A economia é expressiva, podendo chegar a R$ 550 por semana durante a alta temporada, segundo os profissionais. “É um ciclo virtuoso: menos custo, menos impacto ambiental e mais segurança e estabilidade para quem depende da pesca para viver”, afirma Manuela Muanis, gerente de Portfólio de Projetos do Funbio.
Pescando Sol: Segurança e Conectividade no Litoral Norte Fluminense
Na Colônia Z-1, em São Francisco de Itabapoana, o projeto Pescando Sol nasceu com o objetivo primordial de aumentar a segurança dos pescadores. Com embarcações que navegam por longas distâncias, por vezes ficando um mês em alto-mar, a preocupação com imprevistos e a comunicação em caso de emergência é constante.
O projeto, também amparado pelo Funbio, visa equipar embarcações com sistemas de energia solar, permitindo o carregamento de dispositivos eletrônicos como celulares. “Hoje eles têm a segurança de que não vão ficar à deriva totalmente no escuro, para não acontecer o que vem acontecendo há anos: o pescador perde não só a embarcação, mas também a vida”, explica Diviane Chagas, coordenadora do Pescando Sol e presidente da Colônia de Pescadores Z-1.
Inicialmente, houve resistência de alguns pescadores, mas a implementação das primeiras placas solares em junho de 2025 e a demonstração dos benefícios levaram à adesão de 230 barcos até o momento. Somados aos de Arraial do Cabo, são 285 embarcações beneficiadas em todo o estado. Além dos kits para os barcos, a Colônia Z-1 também instalou sistemas de energia solar em suas sedes.
Educação Ambiental e o Futuro da Pesca Sustentável
O Funbio vai além da instalação dos equipamentos, promovendo capacitações em educação ambiental para os pescadores. O objetivo é ensiná-los a buscar novos recursos e a importância da conservação marinha, fortalecendo o saber tradicional com tecnologias sustentáveis.
Manuela Muanis destaca o potencial de expansão dessas iniciativas: “A escala depende da combinação entre recursos financeiros, mobilização comunitária e políticas públicas. Nesse caso, a gente tem muita chance de aumentar e ganhar escala, pois [a energia solar] é uma tecnologia que respeita o território, dialoga com o saber tradicional, sem interferir na pesca, e conta com um modelo comunitário de gestão sólida”.
Fonte: Mongabay Brasil
