CPI do Crime Organizado recomenda nova intervenção federal na segurança do Rio; relembre a experiência de 2018

CPI do Crime Organizado recomenda nova intervenção federal na segurança do Rio; relembre a experiência de 2018

CPI do Crime Organizado pede nova intervenção federal no Rio e aponta falhas na de 2018 A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado encerrou seus trabalhos com uma recomendação contundente: a realização de uma nova intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Esta proposta surge após a análise da […]

Resumo

CPI do Crime Organizado pede nova intervenção federal no Rio e aponta falhas na de 2018

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado encerrou seus trabalhos com uma recomendação contundente: a realização de uma nova intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Esta proposta surge após a análise da primeira experiência do tipo, ocorrida entre fevereiro e dezembro de 2018, que, apesar de ter atingido parte de seus objetivos, foi marcada por descontinuidade em suas diretrizes.

A intervenção de 2018 foi decretada pelo então presidente Michel Temer e teve como interventor o general Walter Braga Netto. O objetivo era reverter a grave crise de segurança que o estado enfrentava, agravada por uma severa crise econômica e alta nos índices de criminalidade. A medida, no entanto, viu suas diretrizes serem abandonadas logo no início da gestão do governador Wilson Witzel.

O relatório da CPI destaca a complexidade da situação fluminense, com a presença de grandes facções criminosas e milícias, que comprometem a soberania estatal e a garantia de direitos básicos aos cidadãos. A recomendação de uma nova intervenção visa responder à magnitude desses desafios, buscando uma solução que vá além das ações pontuais.

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Intervenção de 2018: Objetivos e Resultados

Decretada em fevereiro de 2018, em meio a um cenário de alta criminalidade e assassinatos de policiais, a intervenção federal teve como foco a reorganização das polícias e a recuperação da capacidade logística. O Gabinete de Intervenção Federal, liderado pelo general Braga Netto, investiu mais de R$ 1 bilhão em equipamentos e treinamento, além de revisar processos e desativar bases consideradas ineficientes.

Nos primeiros oito meses sob a gestão de Braga Netto, houve queda em diversos índices de criminalidade, como latrocínio, roubo de cargas, roubos de veículos e roubos de rua, superando as previsões iniciais. No entanto, o objetivo de reduzir a letalidade violenta não foi totalmente alcançado nesse período, com um crescimento inicial de 2,58%, embora uma queda tenha sido registrada no nono mês.

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O Fim da Intervenção e a Gestão de Witzel

A intervenção federal foi encerrada em 1º de janeiro de 2019, com a posse de Wilson Witzel como governador. Apesar de receber planos para a continuidade das melhorias, Witzel optou por descartá-los, priorizando operações em favelas controladas pelo tráfico. Essa mudança de estratégia levou a uma nova piora nas estatísticas de criminalidade, embora a pandemia de COVID-19, iniciada em 2020, tenha dificultado comparações posteriores.

Witzel sofreu impeachment em abril de 2021, sendo sucedido por seu vice, Cláudio Castro. A gestão de Castro, por sua vez, apresentou flutuações nos índices criminais, com quedas e aumentos em diferentes tipos de delitos ao longo dos anos. Entre 2022 e 2025, os homicídios caíram 6,8% e os roubos cerca de 10%.

Críticas e Recomendações da CPI

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, descreveu a situação do Rio como um “comprometimento estrutural da soberania estatal”, agravado pela infiltração do crime organizado nas instituições públicas. Ele ressaltou que o estado é o único a concentrar duas grandes facções criminosas e milícias, que controlam o tráfico de drogas.

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Vieira argumentou que a complexidade criminal no Rio “não encontra paralelo no restante do país e exige, por si só, uma resposta estatal de magnitude correspondente”. Ele criticou a intervenção de 2018 por ter sido “limitada, sobretudo porque a intervenção não foi acompanhada de ações integradas em outras áreas, como políticas sociais, urbanização e enfrentamento à lavagem de dinheiro, e porque seu prazo excessivamente curto impediu a consolidação das ações”.

O Futuro da Segurança no Rio

A recomendação da CPI para uma nova intervenção federal ainda depende de aprovação pelo Congresso Nacional e de decisão do governo federal. Atualmente, o relatório da CPI não possui efeito vinculante, e o governo federal ainda não se manifestou sobre a proposta. A complexidade da criminalidade no Rio de Janeiro e a necessidade de ações integradas em diversas frentes continuam sendo os principais desafios para a garantia da segurança pública no estado.

Fonte: G1

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