A força de uma mãe contra a tirania
Uma marca distintiva da luta de Zuzu foi o uso da moda como forma de protesto. Ela passou a incorporar em suas coleções símbolos de denúncia, com referências à violência e à repressão. Bordados de anjos feridos, crianças mortas, tanques de guerra e pássaros em gaiolas transformavam desfiles em manifestações políticas.
Zuzu recebia cartas de ameaça e já havia alertado amigos sobre a possibilidade de ser vítima dos mesmos assassinos de seu filho. Sua filha Hildegard relata que ela confrontava agentes da ditadura, afirmando não ter medo, pois já haviam tirado seu filho.
O reconhecimento da verdade e o legado
Por décadas, a morte de Zuzu Angel foi tratada como um acidente. No entanto, em 2014, a Comissão Nacional da Verdade confirmou que se tratava de um assassinato. Recentemente, a família recebeu do Estado brasileiro uma certidão de óbito retificada, que descreve a causa da morte como violenta e causada pelo próprio Estado.
O legado de Zuzu Angel transcende sua morte, servindo como um símbolo de luta e inspiração para enfrentar poderes autoritários. Sua trajetória demonstra que a resistência pode se manifestar de diversas formas: pela arte, pela cultura e pela persistência na busca pela verdade e pela justiça.
A memória de Zuzu Angel é celebrada por meio de homenagens e conquistas institucionais, como a mudança do nome de um túnel no Rio de Janeiro para Zuzu Angel e sua inclusão no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O trabalho de preservação de sua memória e de sua luta continua, provando que seu legado “frutificou”.
Fonte: g1.globo.com
