Governador Interino do RJ Acumula Mais de R$ 192 Mil em Diárias em Sete Meses
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, que assumiu interinamente o governo do estado, recebeu um total de R$ 192,3 mil em diárias entre janeiro e julho de 2025. Em alguns meses, o valor recebido como diária ultrapassou os R$ 45 mil estimados para seu salário mensal, gerando debate sobre a gestão dos recursos públicos.
As diárias, destinadas a cobrir despesas com hospedagem, alimentação e deslocamento em viagens a serviço, são definidas pela própria Corte e podem atingir R$ 1.394 em território nacional e até US$ 865 (aproximadamente R$ 4,6 mil) por dia no exterior. Os meses de junho, agosto, outubro e dezembro de 2025 registraram os maiores gastos com o benefício.
Apenas em junho, Couto recebeu R$ 49,2 mil em diárias, após viagens a Brasília e Madri, elevando seus rendimentos totais no mês para perto de R$ 94 mil. Em agosto, com compromissos em Portugal, São Luís e Brasília, o magistrado passou mais da metade do mês fora do estado, acumulando R$ 42,6 mil em diárias.
Viagens Internacionais e Nacionais Detalham Gastos
Outubro apresentou 20 dias de trânsito para o magistrado, incluindo uma viagem à França para um evento de magistratura, que resultou em R$ 31,4 mil em diárias. No final do ano, em dezembro, foram mais R$ 36,6 mil para deslocamentos a Roma, Florianópolis e Belo Horizonte. Apenas a viagem à capital italiana, para um encontro sobre direito digital, custou R$ 31,5 mil em diárias.
Mesmo antes de assumir interinamente o governo em março de 2026, o desembargador já havia recebido R$ 37,6 mil por uma viagem de 10 dias a Portugal, classificada como “visita institucional”. A agenda detalhada desta viagem, no entanto, não foi divulgada.
Contexto Político e Debate sobre Transparência
Ricardo Couto assumiu o governo interinamente após a renúncia do então governador Cláudio Castro, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. A sucessão ocorreu em um cenário de instabilidade política no Rio de Janeiro, com mudanças na linha sucessória e investigações envolvendo lideranças da Assembleia Legislativa. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal discute a possibilidade de eleições indiretas para um mandato-tampão no estado.
Especialistas em gestão pública apontam que, embora legais, os gastos com diárias frequentemente geram questionamentos sobre a transparência, a real necessidade das viagens e o impacto nos cofres públicos, especialmente quando os valores ultrapassam os salários fixos dos agentes. Atualmente, o TJRJ não detalhou integralmente as agendas relacionadas às viagens do magistrado.
Fonte: G1
