Rio de Janeiro lança pioneira revista de poesias escritas por pessoas em situação de rua
A cidade do Rio de Janeiro celebra um marco cultural e social com o lançamento da primeira revista de poesias produzida por pessoas em situação de rua no Brasil. A iniciativa, batizada de “Da Calçada”, é uma realização da Imprensa da Cidade em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social.
O Parque Glória Maria, em Santa Teresa, será palco neste fim de semana de uma programação especial voltada para a arte, cultura e acolhimento. A entrada no evento e a distribuição das revistas com os poemas serão gratuitas, abrindo espaço para que a comunidade conheça e se conecte com essas novas vozes poéticas.
Leo Motta, 44 anos, palestrante e escritor que já vivenciou a situação de rua, ressalta a importância da arte como ferramenta de transformação. Ele explica que a revista é fruto de 41 oficinas realizadas com cerca de 640 participantes em situação de vulnerabilidade social, resultando em 46 poemas escritos por pessoas acolhidas pela Secretaria de Assistência Social.
A poesia como ferramenta de transformação e legado
“Os 46 poemas foram escritos por pessoas acolhidas pela Secretaria de Assistência Social. A ideia é ampliar cada vez mais esse projeto que transforma vidas. Eu mesmo vivi nas ruas, e foi a poesia que me permitiu escrever três livros e mudar minha trajetória”, afirmou Leo Motta.
A proposta da revista “Da Calçada” reforça a ideia de que a poesia não possui fronteiras, nascendo nas ruas, ganhando voz nas pessoas e encontrando sentido em cada olhar atento. Pedro Geromilich, presidente da Imprensa da Cidade do Rio de Janeiro, conhecido como Pedro do Livro, destacou a relevância do projeto.
Evento cultural gratuito com presença dos autores
“Essa é a primeira revista de poesias escrita por pessoas em situação de rua, um trabalho incrível que vai ficar como legado de assistência”, declarou Pedro Geromilich. A programação do evento contará com a presença dos autores dos poemas, promovendo um intercâmbio direto entre criadores e público.
No domingo, o encerramento das atividades incluirá o Sarau Poético Marquises, um momento em que os participantes apresentarão textos que traduzem resistência, expressão e humanidade, consolidando a arte como ponte para o reconhecimento e a dignidade.
Fonte: G1
