Alerta no SUS: 127 mil internações por acidentes expõem vulneráveis; morte de menino em bicicleta elétrica no Rio acende debate

Alerta no SUS: 127 mil internações por acidentes expõem vulneráveis; morte de menino em bicicleta elétrica no Rio acende debate

Trânsito Brasileiro: Usuários Vulneráveis em Risco Constante A trágica morte de um menino de 9 anos e sua mãe, atropelados por um ônibus enquanto utilizavam uma bicicleta elétrica no Rio de Janeiro, lança luz sobre um problema de saúde pública alarmante. Os dados do Ministério da Saúde revelam que, até julho de 2025, o Sistema […]

Resumo

Trânsito Brasileiro: Usuários Vulneráveis em Risco Constante

A trágica morte de um menino de 9 anos e sua mãe, atropelados por um ônibus enquanto utilizavam uma bicicleta elétrica no Rio de Janeiro, lança luz sobre um problema de saúde pública alarmante. Os dados do Ministério da Saúde revelam que, até julho de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 127 mil internações decorrentes de acidentes de trânsito envolvendo os chamados usuários vulneráveis. Deste total, 98 mil eram motociclistas, 19 mil pedestres e mais de 10 mil ciclistas, totalizando 77,4% dos casos, o que demonstra a gravidade da exposição direta ao impacto nas vias brasileiras.

A estatística de mortalidade acompanha essa tendência preocupante. Entre janeiro e setembro de 2025, o país contabilizou 1.992 mortes de motociclistas, 916 de pedestres e 258 de ciclistas. O caso na Tijuca, Zona Norte do Rio, infelizmente, somou-se a essas lamentáveis ocorrências. Francisco Farias Antunes e sua mãe, Emanoelle Martins Guedes de Farias, foram as vítimas fatais ao serem atingidos por um ônibus enquanto pedalavam.

O apelo por mudanças estruturais, feito pelo pai do menino e humorista Vinicius Antunes, ressalta a carência de infraestrutura adequada, como ciclovias, e a falta geral de segurança no trânsito. Essa crítica encontra respaldo em dados recentes: o número de acidentes envolvendo veículos autopropelidos no Rio de Janeiro mais que triplicou em 2025, saltando de 65 para 211, segundo informações do Corpo de Bombeiros.

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A Vulnerabilidade Física dos Usuários de Vias

A ausência de uma infraestrutura segura agrava um risco que já é inerente aos usuários mais expostos. Conforme a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), pedestres e ciclistas absorvem praticamente toda a energia de um impacto em colisões. Mesmo em velocidades consideradas moderadas, como 40 a 50 km/h, a probabilidade de lesões fatais pode ultrapassar 60%.

“Esses usuários são mais vulneráveis porque não têm nenhuma estrutura de proteção. No carro, você tem um habitáculo projetado para absorver impacto […]. Nos autopropelidos, o corpo recebe praticamente toda a energia da colisão”, explica José Montal, diretor executivo da Abramet. Ele ressalta que, mesmo com capacete, impactos a 40 km/h podem causar lesões severas devido à desaceleração e ao choque com o solo.

Desafios dos Veículos Autopropelidos e a Disputa pelo Espaço Viário

A circulação de veículos autopropelidos, como bicicletas elétricas, enfrenta o desafio da falta de clareza sobre seus locais adequados de tráfego. Embora a norma nacional sugira vias de até 40 km/h, ciclovias ou calçadas com velocidade reduzida, na prática, eles frequentemente dividem espaço com carros e ônibus em avenidas mais rápidas.

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Essa interação entre veículos de diferentes portes e velocidades é um fator crítico na gravidade dos acidentes. A Abramet aponta que a altura do para-choque e o formato do capô de veículos maiores, como SUVs e picapes, influenciam diretamente a severidade das lesões em atropelamentos, aumentando o risco de traumas pélvicos, torácicos e cranianos.

Rodrigo Kleinübing, perito em acidentes de trânsito, enfatiza a necessidade de aumentar a visibilidade desses veículos e de seus condutores. “É fundamental ter elementos refletivos e melhorar a sinalização, porque aumentar o poder de visualização reduz o risco de colisões. As vestimentas, os equipamentos de proteção individual. Tudo isso ajuda, junto ao controle de velocidade”, pontua.

Planejamento Urbano e Fiscalização: Pontos Críticos

Apesar de o Rio de Janeiro possuir mais de 500 km de malha cicloviária, especialistas apontam falhas na integração entre os trechos, sinalização insuficiente e ausência de infraestrutura em áreas cruciais, como o local do acidente na Tijuca, que carece de ciclovia.

A falta de informação e fiscalização efetiva também contribui para o cenário. Muitos usuários ainda confundem diferentes tipos de veículos elétricos e desconhecem regras básicas de circulação. “As regras existem, mas precisam ser colocadas em prática”, alerta Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).

Expansão da Micromobilidade e Riscos Associados

A popularização de bicicletas elétricas, patinetes e outros modais de micromobilidade traz alternativas de transporte, mas também aumenta o número de usuários expostos. Estudos da Abramet indicam que o risco de acidentes com patinetes elétricos é 3,8 vezes maior do que com bicicletas, devido à dinâmica das quedas e à estrutura do equipamento, que tende a projetar o usuário para frente, concentrando lesões na cabeça.

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Casos recentes em Belo Horizonte e Balneário Camboriú ilustram esses riscos. O secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, alertou sobre traumatismos cranianos associados ao uso de patinetes, destacando a necessidade de calçadas regulares e educação no trânsito.

A relação entre velocidade e gravidade dos acidentes é outro fator crucial. Pequenas variações na velocidade média das vias podem aumentar significativamente o número de mortes. Para pedestres, o risco de morte após atropelamento sobe drasticamente com o aumento da velocidade. A redução da velocidade é apontada como prioridade zero para a segurança viária.

Veículos maiores, como ônibus e SUVs, apresentam desafios adicionais devido à sua altura e rigidez frontal, aumentando a letalidade em colisões. A instalação de câmeras nesses veículos é defendida para mitigar os riscos aos usuários mais vulneráveis. “A sinistralidade no trânsito tem causas conhecidas, e a principal delas é a velocidade. O ser humano não foi ‘projetado’ para suportar a energia cinética desses veículos”, conclui.

Fonte: g1.globo.com

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