Retotalização de votos na Alerj após cassação de presidente expõe fragilidades e gera incerteza no Rio de Janeiro
A cassação do mandato de Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), desencadeou uma retotalização de aproximadamente 97 mil votos das eleições de 2022 para deputado estadual. A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) visa garantir a lisura do processo eleitoral e redistribuir as cadeiras conforme o sistema proporcional.
Embora a nova contagem não tenha alterado a distribuição geral de cadeiras entre os partidos, ela promoveu mudanças individuais significativas. O delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto (PL), que já atuava como suplente, agora assume uma vaga efetiva. Em contrapartida, o deputado Renan Jordy (PL) ficará com a suplência. Essa movimentação representa a recuperação de uma cadeira pelo PL, que havia sido impactada pela filiação de Bacellar ao União Brasil.
A Justiça Eleitoral precisou refazer toda a distribuição de vagas após a anulação dos votos de Bacellar. O processo de retotalização segue regras específicas do Código Eleitoral, que envolvem a exclusão dos votos anulados, o recálculo do quociente eleitoral e partidário, e a redistribuição das chamadas sobras de votos. O resultado final será publicado no Diário Oficial da Justiça Eleitoral, com um prazo para recursos antes da homologação.
Impacto na eleição da presidência da Alerj e instabilidade política
A recente eleição do deputado Douglas Ruas (PL) para a presidência da Alerj, que havia sido anulada pela Justiça sob o argumento de que deveria ocorrer após a retotalização, segue válida em virtude da ausência de alterações na composição partidária da Casa. No entanto, o cenário político do estado permanece instável, com a recomposição da Alerj podendo influenciar diretamente a disputa pela presidência da Casa.
Cassação de Bacellar e suas consequências
A cassação de Rodrigo Bacellar, que na época ocupava a presidência da Alerj, foi resultado de um processo que apontou abuso de poder político e econômico, com o uso indevido de estruturas públicas como a Fundação Ceperj e a Uerj. O caso também teve repercussão para o ex-governador Cláudio Castro (PL), que renunciou ao cargo e se tornou inelegível por oito anos.
Impasses no governo estadual e o futuro eleitoral
O atual comando do Executivo estadual está sob responsabilidade do presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O STF deve julgar em breve o modelo de eleição para o chamado mandato-tampão, definindo se será direto ou indireto e estabelecendo uma possível data para o pleito. O governador eleito terá a missão de cumprir o restante do mandato até o final de 2026.
Fonte: G1
