Programa Completa Uma Década de Controle Rigoroso
A água mineral, essencial para a hidratação diária de milhões de pessoas no Rio de Janeiro, especialmente em períodos de calor intenso, passa por um rigoroso sistema de controle sanitário. Em 2026, o programa de monitoramento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) completa 10 anos, consolidando um modelo que une ciência, fiscalização e prevenção de riscos à saúde pública.
Conduzido pela Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa), o programa acompanha de forma sistemática a produção em 63 envasadoras distribuídas por 33 municípios fluminenses. A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, destaca o compromisso com a saúde coletiva. “O que fazemos aqui é prevenção, planejamento e cuidado contínuo com a população”, afirma.
Ao longo dessa década, o Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen-RJ) emitiu 6.917 laudos, dos quais 856 foram para água mineral. Dentre os 1.959 resultados insatisfatórios, 328 (16,7%) estavam relacionados à água mineral, com não conformidades em análises microbiológicas e de rotulagem.
Avanços e Desafios no Controle Sanitário
A superintendente de Vigilância Sanitária da SES-RJ, Helen Keller, ressalta a importância da avaliação de risco para agir preventivamente. “Os números do programa mostram que ainda há desafios nos processos de higienização, envase e controle microbiológico”, aponta. Lotes insatisfatórios são retirados do mercado, podendo levar à interdição de envasadoras que não se adequam às boas práticas de fabricação.
A orientação ao consumidor também é um pilar do programa. Recomenda-se verificar no rótulo informações como lote, data de fabricação e validade, além de observar visualmente o produto em busca de alterações de cor ou partículas em suspensão. A maior parte das coletas envolve água mineral sem gás, que tecnicamente apresenta menor risco microbiológico devido ao dióxido de carbono.
Nova Normativa e Capacitação em Campo
Um marco importante é a publicação, em dezembro de 2025, de uma nova normativa da Suvisa/SES-RJ. O documento padroniza a avaliação de risco sanitário e estabelece procedimentos suplementares de boas práticas de envase, por meio do Guia Estadual de Avaliação do Risco Sanitário. O foco agora é a execução prática, com inspeções in loco em parceria com as vigilâncias sanitárias municipais.
A primeira ação ocorreu em Paty do Alferes, com inspeções que avaliaram desde a higienização das embalagens até o envase e armazenamento. “É ali que conseguimos identificar falhas, orientar correções imediatas e garantir que a norma não fique só no papel”, explica Werner Ewald, coordenador de Vigilância e Fiscalização de Alimentos da SES-RJ.
Formação Técnica para Fiscalização Padronizada
O programa investe na formação técnica das equipes municipais. Dos 33 municípios com envasadoras, 24 já passaram por capacitação, e os demais serão contemplados em 2026. As ações incluem inspeções práticas e simulações reais dentro das empresas. A meta é construir uma rede técnica sólida e permanente, garantindo a padronização da fiscalização em todo o estado.
“A capacitação prática garante que os fiscais saibam exatamente como aplicar a normativa no dia a dia”, destaca Carlos Dias, assessor de Projetos da Suvisa/SES-RJ. As ações estão inseridas no Plano Estadual de Saúde (PES) 2022-2027 e na Programação Anual de Saúde (PAS).
A mensagem central é a garantia de que a água que chega ao consumidor fluminense é monitorada de forma contínua, técnica e responsável. “Esse é um trabalho silencioso, mas essencial para a proteção da saúde coletiva”, finaliza Helen Keller.
Fonte: G1
