Júri popular julga três suspeitos de executar bicheiro Fernando Iggnácio em 2020
Três homens acusados de participar da execução do bicheiro Fernando Iggnácio, em novembro de 2020, serão submetidos a júri popular nesta quinta-feira (9), no 1º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O crime teria sido encomendado por Rogério Andrade, rival de Iggnácio e também bicheiro.
O julgamento teve início por volta das 12h30. Fernando Iggnácio, genro e herdeiro do contraventor Castor de Andrade, foi morto em uma emboscada no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, após desembarcar de helicóptero. Os criminosos utilizaram fuzil 556 para cometer o assassinato.
Segundo as investigações, Rogério Andrade teria ordenado a morte de Iggnácio por meio de um aplicativo de mensagens criptografadas, em meio a uma disputa pelo controle do império do jogo do bicho. A rivalidade entre os dois já havia resultado em cerca de 50 mortes entre 1999 e 2007, de acordo com a Polícia Federal.
Julgamento com rito alterado
Inicialmente, três suspeitos foram levados a júri: Rodrigo Silva das Neves, apontado como miliciano; Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, ex-PM e irmão de Pedrinho; e um terceiro réu cujos detalhes não foram especificados na fonte. No entanto, o julgamento de Otto e do outro réu foi remarcado.
A defesa de Otto alegou insanidade mental do acusado e pediu sua absolvição. O juiz não acatou o pedido, e os advogados dos dois réus desistiram do caso, o que levou à remarcação de seus júris. Com isso, o julgamento prossegue apenas com Rodrigo Silva das Neves.
A defesa de Rodrigo Neves nega as acusações e qualquer envolvimento com Rogério Andrade, classificando a investigação da Delegacia de Homicídios como uma “farsa”. Segundo os advogados, a inclusão de Neves na investigação visava apenas vincular o caso a um mandante.
Outros envolvidos e o contexto da disputa
Um quarto suspeito, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa, apontado como matador de aluguel, participou do crime, mas foi encontrado morto em novembro de 2022. Além dos executores, o policial militar reformado Márcio Araújo de Souza, apontado como contratante, e o ex-PM Gilmar Eneas Lisboa, que teria monitorado a vítima, também foram presos.
A disputa pelo espólio de Castor de Andrade, que morreu em 1997, levou à morte de seu filho, Paulo Roberto de Andrade, em 1998, crime atribuído a Rogério Andrade. Rogério também foi vítima de uma tentativa de assassinato em 2001 e acusou Fernando Iggnácio pela morte de seu filho em 2010.
Fonte: G1
