Taxistas do Rio de Janeiro realizam carreata e exigem diálogo com Eduardo Paes sobre renovação da frota
Centenas de taxistas se reuniram na manhã desta segunda-feira (3) para uma carreata que partiu do Aterro do Flamengo em direção à prefeitura, na Cidade Nova, no Rio de Janeiro. O objetivo principal do grupo era entregar uma pauta de reivindicações ao prefeito Eduardo Paes, com foco em questões cruciais para a categoria.
Entre as principais demandas, destacam-se a criação de linhas de crédito para facilitar a renovação da frota de táxis e o cumprimento integral da Lei nº 8.546. Esta lei, que autorizava a circulação de veículos com mais de dez anos de fabricação no município, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça no último dia 28, gerando grande insatisfação entre os profissionais.
A manifestação ocorre após uma paralisação na semana anterior, onde taxistas já haviam expressado descontentamento com a proibição de veículos mais antigos. Eles argumentam que a medida compromete diretamente o sustento de muitos trabalhadores que não possuem condições financeiras de adquirir um carro novo, especialmente diante do alto custo de um veículo zero quilômetro, que ultrapassa os R$ 100 mil.
Impacto financeiro e a busca por soluções
Organizadores do protesto relatam que o impasse tem impedido muitos taxistas de trabalhar, agravando a situação financeira de milhares de profissionais. Muitos investiram em reformas de seus veículos após a aprovação da lei que garantia a maior vida útil, gastando até R$ 20 mil em consertos e adaptações.
Jota Santos, um dos organizadores da carreata, explicou que, desde a pandemia, a categoria enfrenta perdas significativas de rendimento. “Muitos ficaram inadimplentes, ainda estão recuperando score e não conseguem entrar em financiamento. Quando a lei extinguiu a vida útil do táxi, a maioria optou por reformar o carro, investindo até R$ 20 mil, porque um carro novo hoje não sai por menos de R$ 100 mil”, afirmou.
Ele acrescentou que os carros com mais de dez anos estão sendo bloqueados pela prefeitura, sujeitando os profissionais a fiscalização, multas pesadas e até apreensão de veículos. “Estamos falando de mais de 15 mil taxistas diretamente impactados”, alertou.
Contestação sobre argumentos ambientais e falta de diálogo
Taxistas também contestam o argumento da prefeitura de que veículos antigos seriam mais poluentes. Vinícius Souza, com 27 anos de profissão, ressalta que a maioria dos táxis utiliza GNV e passa por vistorias anuais rigorosas do Inmetro, que verificam gases poluentes, suspensão, pneus e outros itens de segurança. “Se não estiver aprovado, não roda. Então dizer que polui mais não procede”, defendeu.
Os manifestantes ainda apontaram a falta de diálogo prévio com a categoria antes da suspensão da lei. “A gente soube pela imprensa e pelo Diário Oficial. Não houve conversa. Isso criou uma insegurança jurídica enorme. Hoje, a confiança na prefeitura é zero”, lamentou Jota Santos.
A reportagem tentou contato com a Secretaria Municipal de Transportes, que indicou o encaminhamento da demanda à assessoria da prefeitura. Até o momento, não houve retorno.
Fonte: O DIA
