Vereador Salvino Oliveira detalha origem de R$ 100 mil e rebate acusações
O vereador Salvino Oliveira veio a público nesta segunda-feira (16) para esclarecer a origem dos mais de R$ 100 mil que a Polícia Civil apontou como suspeitos pagamentos a uma empresa de informática ligada a uma área controlada por facção criminosa. Oliveira foi preso na quarta-feira (11) sob suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.
Em um vídeo divulgado, o parlamentar explicou que o montante em questão é, na verdade, um prêmio que ele recebeu da Organização das Nações Unidas (ONU). O reconhecimento foi concedido a ele como jovem ativista global, em virtude de seu trabalho em favelas e periferias do Rio de Janeiro. O prêmio citado é o Young Activists Summit (YAS).
“Eu só fui selecionado justamente pelo trabalho que eu desenvolvi, mudando a vida de jovens de favelas e periferias do Rio de Janeiro através da tecnologia. Eu fui o único selecionado de todo o continente americano. É uma coisa que eu me orgulho muito e jamais imaginei que poderia ter sido usado contra mim como motivo de envolvimento com o tráfico de drogas”, declarou o vereador.
Desvinculação com ex-assessor e ausência de provas
Além de esclarecer a procedência do dinheiro, Salvino Oliveira afirmou que não possui mais qualquer vínculo com um ex-assessor que a Polícia Civil indicou como sócio-diretor de uma empresa cujo sócio presidente é filho do traficante Elias Maluco. Maluco foi um líder do Comando Vermelho e responsável pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.
“Em relação ao ex-assessor, ele já foi exonerado há muito tempo e eu não tive e nem tenho qualquer relação com movimentações financeiras, fintechs ou qualquer dinheiro lícito ou ilícito que tenha partido das contas desse ex-assessor. Esse ex-assessor sequer é citado no processo”, pontuou Oliveira, pedindo que a polícia investigue o ex-assessor diretamente.
O vereador também ressaltou que nenhum elemento que comprove seu envolvimento com a facção criminosa foi encontrado em sua residência. Ele relatou que sua casa foi invadida e imagens falsas foram divulgadas, mas nada de ilícito foi encontrado, como dinheiro, joias ou qualquer outro item. Apesar disso, ele permaneceu preso por três dias.
Comparação com Marielle Franco e luta por representatividade
Salvino Oliveira finalizou sua manifestação criticando a forma como foi tratado e comparou sua situação com o caso de Marielle Franco, assassinada em 2018. Ele sugeriu que lideranças de favelas e periferias frequentemente sofrem tentativas de silenciamento.
“Parece que toda vez que surge uma liderança de favela e periferia, essa banda podre da política decide de alguma maneira silenciar. Lá atrás fizeram isso com a Marielle e agora tentam de todo modo acabar com a minha reputação. Mas eu queria dizer que eu vou continuar lutando pelas favelas e periferias, continuar lutando pelo aquilo que eu acredito”, afirmou o vereador, expressando orgulho em construir políticas públicas para essas comunidades e lutar contra a criminalização dos pobres.
Relembre o caso
Salvino Oliveira foi preso em uma operação da Polícia Civil contra o Comando Vermelho. As investigações iniciais apontaram que o parlamentar teria negociado com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, autorização para realizar campanha eleitoral na Gardênia Azul em troca de intermediar a exploração de quiosques na comunidade.
Posteriormente, a Polícia Civil divulgou que o vereador teria recebido mais de R$ 100 mil em transações suspeitas com uma empresa de informática sediada no Complexo da Maré. Contudo, a prisão temporária foi revogada pela Justiça do Rio após pedido de Habeas Corpus da defesa, que argumentou a falta de elementos que justificassem a necessidade da prisão para o andamento da investigação.
Fonte: O Globo
