RioPag, empresa ligada a amigo de Flávio Bolsonaro, é acusada de desviar R$ 20,9 milhões do Estado
O governo do Rio de Janeiro acusa a RioPag, empresa que detém o monopólio da intermediação de pagamentos de apostas e prêmios no estado, de reter indevidamente R$ 20,9 milhões dos cofres públicos. A Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) concluiu uma apuração administrativa e encaminhou o caso à Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ), que trata o episódio como apropriação indébita, crime previsto no Código Penal.
Entre os acionistas da empresa está o advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL). A Loterj apurou que a RioPag deixou de repassar recursos que pertencem ao Estado do Rio de Janeiro como contrapartida pelo contrato que lhe concedeu o monopólio do processamento de pagamentos de apostas e prêmios.
Os repasses estão suspensos desde janeiro deste ano. Quando a nova gestão estadual cobrou o pagamento dos valores, em abril, a RioPag respondeu que o dinheiro havia sido aplicado em ativos sem liquidez e que, por isso, não poderia ser devolvido imediatamente. Até agora, a empresa não informou onde os recursos estão nem apresentou documentos que comprovem a destinação do montante.
Empresa é ligada a amigo de Flávio Bolsonaro
Willer Tomaz integra o fundo que controla a Capital Pretium S.A., holding proprietária da RioPag. Ao Metrôples, ele confirmou sua participação societária, mas não revelou quem são os demais investidores do fundo. Também afirmou que atua como advogado da empresa em processos judiciais, embora sustente não participar de sua administração.
A relação entre Tomaz e Flávio Bolsonaro é pública. Durante a CPI da Pandemia, o senador reagiu a perguntas envolvendo o advogado e reconheceu a amizade entre ambos, classificando os questionamentos como tentativa de atingi-lo politicamente. Reportagem do Estadão revelou ainda que Flávio Bolsonaro e familiares viajaram, em duas ocasiões, em jatinhos particulares de Willer Tomaz, incluindo um voo para os Estados Unidos.
Monopólio e contrato sob questionamento
A RioPag detém o monopólio da intermediação dos pagamentos de apostas e prêmios no estado do Rio de Janeiro. Segundo o governo, a empresa cobra taxas que chegam a ser até 11 vezes superiores às praticadas pelo mercado. O contrato foi firmado durante a gestão do governador Cláudio Castro (PL).
Na licitação, a RioPag venceu ao oferecer o repasse de 20% do faturamento à Loterj. A única concorrente acabou desclassificada por um detalhe do edital, apesar de ter apresentado uma proposta mais vantajosa, prevendo o repasse de 26% da receita. Anteriormente chamada Pixs Cobrança e Serviços em Tecnologia, a empresa pertence à Capital Pretium S.A., antiga Pix Holding S.A., administrada por Lidia Mazelli.
Amizade com Flávio Bolsonaro e disputa por mansão
A amizade entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro também esteve em foco em uma disputa judicial por uma mansão em Angra dos Reis, avaliada em cerca de R$ 10 milhões. Segundo documentos judiciais, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse no imóvel em 2020, antes de Tomaz iniciar uma ofensiva judicial para obter a posse da propriedade. O senador figura como testemunha na ação movida pelo advogado.
Em 2019, Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro sacaram cerca de R$ 1,5 milhão em espécie nos caixas de um cassino em Las Vegas. Na época, ambos afirmaram que o saque tinha como objetivo permitir apostas no estabelecimento. O episódio ganhou repercussão em meio a investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Fonte: Metropoles
