Rio de Janeiro enfrenta onda de apagões e geradores tomam conta das ruas
O calor intenso e a alta demanda por energia elétrica têm sido acompanhados por uma série de interrupções no fornecimento em diversos bairros do Rio de Janeiro. Essa instabilidade na rede elétrica tem levado à proliferação de geradores, que se tornaram uma presença notável, ainda que incômoda, nas paisagens urbanas de Copacabana, Leme, Méier e Barra da Tijuca.
Desde o início de janeiro, moradores e comerciantes enfrentam a falta de luz, com problemas persistindo desde o dia 2 em áreas como Copacabana e Leme. A situação se agravou na noite de terça-feira, quando o Grande Méier, na Zona Norte, sofreu um novo apagão, somando-se a outras regiões que já haviam sido afetadas. A Barra da Tijuca e a Tijuca também registraram interrupções.
As causas para esses transtornos são variadas. Enquanto na Zona Sul o furto de cabos é apontado como principal fator, na Zona Norte, especificamente no Méier e arredores, a raiz do problema reside na obsolescência de cabos subterrâneos de alta tensão, que exigem obras estruturais complexas com previsão de término apenas em maio. Conforme informações divulgadas pela Light.
Problemas crônicos e obras emergenciais na Zona Norte
A Light identificou em 2023 a necessidade de substituição de cabos de alta tensão na subestação do Cachambi, responsável pelo abastecimento de oito bairros da região: Méier, Cachambi, Todos os Santos, Maria da Graça, Del Castilho, Engenho de Dentro, Jacarezinho e Benfica, totalizando mais de 230 mil moradores. Vinicius Roriz, vice-presidente de operações da Light, compara a situação com a crise de abastecimento na Ilha do Governador no ano anterior.
“São cabos muito antigos, que já deveriam ter sido substituídos há muito tempo. Fizemos um mapeamento de tudo o que era crítico na área de concessão e iniciamos a obra”, afirmou Roriz. A obra, que envolve a substituição de cerca de dois quilômetros de cabos, está sendo executada em etapas e prevê a adaptação da rede subterrânea.
Um plano de contingência foi implementado para suprir o abastecimento durante a intervenção. Este plano, que inclui o uso de geradores, precisou ser acionado diversas vezes. “De fato, ainda tem risco de ter desligamento. O que queremos é que essa entrada da contingência (o uso dos geradores) ocorra de forma rápida, para gerar o menor transtorno possível à população”, explicou Roriz, ressaltando que o transtorno é temporário para um benefício permanente.
Furtos de cabos e sobrecargas causam apagões na Zona Sul e Sudoeste
Na Zona Sul, em Copacabana e no Leme, a causa das interrupções foi o furto de cabos. Cerca de 3,5 km de fios foram roubados, impactando o fornecimento de energia. Para garantir o abastecimento, geradores foram instalados, trazendo consigo barulho e equipamentos visíveis em áreas residenciais e turísticas.
A Light informou que a retirada dos geradores já começou, com 62 equipamentos inicialmente nas ruas, restando 50 em operação. A previsão é de que 30 sejam desmobilizados até o próximo fim de semana, com a normalização completa prevista para cerca de 30 dias.
Na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste, o furto de cabos também foi a causa do apagão ocorrido no fim de semana. Na Tijuca, a Rua Mariz e Barros enfrentou falta de luz, com a Light apontando como causa uma “sobrecarga provocada por um aumento irregular de carga de energia por parte de um restaurante, sem autorização da concessionária”. O fornecimento na região já foi normalizado.
Prejuízos e insatisfação de moradores e comerciantes
Os problemas de falta de luz têm gerado prejuízos significativos para comerciantes. Paulo Ferreira, gerente de um restaurante em Copacabana, estima um prejuízo de R$ 90 mil devido à perda de mercadorias, equipamentos danificados e custos com geradores. “Essa semana já estou gastando mais de R$ 10 mil com o gerador”, relatou.
Carlos Alexandre, cabeleireiro no Cachambi, também relata dificuldades: “Desde o início de dezembro a luz está caindo bastante, inclusive já queimou várias lâmpadas. Prejudica muito. Dependendo do horário que a luz falte e do horário que volte, a gente não consegue fazer nada e nem atender. Tem que fechar o salão”.
O Procon Carioca notificou a Light pela falta de luz prolongada e aguarda a defesa da concessionária para decidir sobre possíveis multas.
Fonte: O Globo
