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Rio de Janeiro Lidera Uso de Pistolas 9mm no Mercado Ilegal do Sudeste, Revela Pesquisa do Instituto Sou da Paz

Mercado ilegal de armas no Sudeste: Rio de Janeiro em destaque O Rio de Janeiro se consolida como o principal polo de circulação de armas de fogo ilegais na região Sudeste, especialmente no que diz respeito a pistolas 9mm. Um levantamento inédito do Instituto Sou da Paz, intitulado “Arsenal do Crime: Análise do perfil das […]

Resumo

Mercado ilegal de armas no Sudeste: Rio de Janeiro em destaque

O Rio de Janeiro se consolida como o principal polo de circulação de armas de fogo ilegais na região Sudeste, especialmente no que diz respeito a pistolas 9mm. Um levantamento inédito do Instituto Sou da Paz, intitulado “Arsenal do Crime: Análise do perfil das armas de fogo apreendidas no Sudeste (2018-2023)”, revela que o estado fluminense lidera o uso deste calibre, mais potente e moderno, pelo crime organizado.

A pesquisa analisou mais de 255 mil armas apreendidas entre 2018 e 2023 nos quatro estados da região. Os dados sobre o Rio de Janeiro, que somam 45.897 armas apreendidas no período, indicam uma mudança significativa no perfil das armadas ilícitas. O estoque tradicional, composto por revólveres .38 e espingardas antigas, tem sido progressivamente substituído por armas semiautomáticas, capazes de disparar múltiplos tiros em rápida sucessão.

As apreensões no Rio de Janeiro apresentaram oscilações, com uma queda em 2020, mas retomaram o crescimento a partir de 2021, retornando ao patamar pré-pandemia em 2023. Este cenário reforça a posição do estado como um ponto nevrálgico para a entrada e distribuição de armamento ilegal, com notável presença de pistolas e fuzis.

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Ascensão da Pistola 9mm no Crime Organizado

No Rio de Janeiro, as pistolas representam quase metade das armas apreendidas (49,8%), seguidas por revólveres (32,9%). Entre as pistolas, o calibre 9mm é o mais prevalente, respondendo por mais da metade das apreensões (54,8%) e atingindo 64,9% em 2023. Essa predominância é atribuída às características da arma, como precisão, baixo recuo e alta capacidade de munição, fatores que a tornaram popular entre Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs) durante o período de liberação em governos anteriores.

Especialistas apontam que a 9mm representa um risco maior devido ao seu poder de “transfixação”, a capacidade de atravessar um alvo e atingir múltiplos indivíduos. Apesar de a sua posse para CACs ter sido novamente proibida em 2023, o Instituto Sou da Paz alerta que os efeitos do “desmonte regulatório” promovido pela flexibilização do acesso a armas e munições ainda serão sentidos no mercado ilegal nos próximos anos.

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Desafios na Repressão e Eixos de Circulação

A pesquisadora Malu Pinheiro, do Instituto Sou da Paz, destaca que a maior circulação de armas como a 9mm eleva o poder de fogo do crime, aumentando o risco à vida em confrontos e ocorrências. A facilidade de recarga e a maior potência dos disparos configuram um cenário de maior periculosidade.

As forças estaduais lideram as apreensões no Rio de Janeiro, respondendo por 93,9% dos casos. Contudo, observa-se um crescimento expressivo da participação da Polícia Federal, com um aumento de 595% nas apreensões entre 2022 e 2023, impulsionado por grandes operações contra o comércio irregular. Isso evidencia o papel estratégico das forças federais no combate ao desvio e comércio ilegal de armas.

Padrões de Apreensão e Origem do Armamento

A análise temporal das apreensões indica uma concentração nas quartas e segundas-feiras, e entre o início da tarde e a noite. As apreensões ocorrem majoritariamente em vias públicas (36,8%) e ambientes residenciais (18,2%). A cidade do Rio de Janeiro concentra a maior parte das apreensões (70,4%), seguida por municípios da região metropolitana como Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu. Em termos proporcionais, a capital também lidera a taxa de apreensões por 100 mil habitantes.

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As rodovias BR-101 e BR-116 são identificadas como eixos estratégicos para o escoamento de armas ilegais, conectando o estado a São Paulo e Espírito Santo. A pesquisa também revela que a vasta maioria das armas apreendidas é de fabricação industrial (98,4%), com destaque para o número alarmante de fuzis apreendidos (3.067), o maior da região Sudeste, refletindo conflitos armados entre facções e com as forças de segurança.

O mercado de armas ilegais é predominantemente de origem doméstica. A fabricante brasileira Taurus lidera as apreensões (47%), seguida por marcas estrangeiras como Glock (7,6%). Consequentemente, armas fabricadas no Brasil são as mais apreendidas (50,2%), seguidas por armas da Áustria, EUA e Turquia.

Fonte: O Globo

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