Ressurgência no Rio: Entenda o Fenômeno que Trouxe Cardumes Gigantes para as Praias Cariocas
Um espetáculo da natureza encantou banhistas nas praias do Rio de Janeiro nos últimos dias: imensos cardumes de peixes nadando próximos à orla, em locais como Arpoador, Ipanema, Leme e Copacabana. As manchas de peixes, que em alguns pontos alcançaram mais de um quilômetro de extensão, foram vistas contornando os banhistas, proporcionando uma experiência inesquecível.
De acordo com Marcelo Vianna, professor titular do Departamento de Biologia Marinha da UFRJ, é provável que os peixes sejam manjubas ou sardinhas. Essas espécies se reproduzem rapidamente e atingem seu tamanho adulto em cerca de três meses. A proximidade com a costa e a visibilidade dos cardumes estão diretamente ligadas a um fenômeno oceanográfico conhecido como ressurgência.
Fonte: O Globo
O Que é a Ressurgência e Como Ela Atrai os Cardumes?
O fenômeno da ressurgência ocorre quando águas mais frias e profundas, ricas em nutrientes, sobem para a superfície do oceano. No Rio de Janeiro, isso é comum durante o verão e início da primavera. “Essa água fria que entra durante esse período de verão, início de primavera, é rica em nutrientes. A água quente é mais leve do que a água fria, que é densa e fica no fundo. Então, quando essa água fria sobe, traz todo aquele nutriente que estava no fundo e enriquece a coluna d’água”, explica o biólogo Marcelo Vianna.
Esses nutrientes promovem o aumento do fitoplâncton, microalgas que servem de alimento para pequenos comedores de plâncton, como as sardinhas e manjubas. A água mais fria e clara do mar carioca, característica dessa ressurgência, torna esses cardumes mais visíveis e os atrai para as áreas costeiras.
Um Fenômeno Anual, Mas Este Ano Mais Intenso
Embora o enriquecimento das águas costeiras e a aproximação de cardumes sejam eventos anuais no litoral do Rio de Janeiro, o professor Vianna ressalta que, neste ano, o cardume está particularmente grande e próximo da costa. A geógrafa Flávia Lins de Barros, coordenadora do Laboratório de Geografia Marinha da UFRJ, complementa que a ressurgência tem início na região de Cabo Frio, sendo influenciada pela direção dos ventos e pela configuração da costa.
“O vento bate, a água superficial migra, e a água do fundo, mais fria porque não recebe o sol, sobe”, detalha a geógrafa. Os ventos de Sudeste, mais fortes no verão, impulsionam essa água fria em direção ao litoral carioca.
Alerta Sobre Poluição e Conservação Marinha
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) assegura que a presença dos cardumes não está relacionada à poluição, mas sim à melhora gradual da qualidade da água. No entanto, o acúmulo de lixo nas praias e no mar durante a alta temporada representa um risco significativo para os animais e o ecossistema marinho.
Marcelo Vianna alerta para o perigo dos microplásticos provenientes de embalagens de isopor e outros resíduos plásticos. “A onda vai quebrar esses isopores e vai, transformar em pequenos fragmentos que vão ser consumidos por essa sardinha que as pessoas veem lindas e elas vão morrer”, adverte o biólogo. Ele enfatiza a importância da conservação marinha, especialmente em momentos de maior integração do público com a natureza, como a observação desses cardumes.
Fonte: O Globo
