Fórum Estadual dos Pontos de Cultura do Rio de Janeiro define delegação para evento nacional
O VII Fórum Estadual dos Pontos de Cultura do Rio de Janeiro encerrou neste sábado (28) a seleção da delegação que representará o estado na 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática. O evento, que ocorrerá em Aracruz (ES) no primeiro semestre de 2026, teve seu fórum estadual realizado em formato online devido às fortes chuvas que atingiram o estado. A programação contou com debates sobre o futuro da Política Nacional de Cultura Viva, governança e sustentabilidade da criação artística.
A escolha da delegação fluminense destacou a diversidade territorial e identitária, com forte representatividade de pessoas de matriz africana e mulheres. A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec-RJ) apoiou o encontro, que buscou consolidar propostas para o futuro da rede de Pontos de Cultura no Brasil.
Apesar dos desafios logísticos, como a mudança para o formato virtual no último dia, a organização garantiu a participação dos representantes do Rio de Janeiro. Dilma Negreiros, representante da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), ressaltou a importância da mobilização e da perseverança para que os pontos de cultura do estado estivessem presentes na Teia Nacional.
Representatividade e alcance da Cultura Viva no Rio de Janeiro
Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), celebrou a capilaridade da rede de Pontos de Cultura no Rio de Janeiro, presente em 81 dos 92 municípios. “Acredito que seja o primeiro estado a chegar a 100%, dando um exemplo para o Brasil”, afirmou. Na capital, são 491 pontos ativos.
Rollemberg enfatizou a importância da inclusão da cultura de matriz africana e das culturas indígenas na diversidade cultural do estado, além de celebrar o alcance para territórios fora das capitais. “Mostrando esse DNA histórico do Rio de Janeiro na rede de Cultura Viva”, completou.
Diversidade marca a delegação escolhida
A delegação de 30 delegados e delegadas que representará o Rio de Janeiro na Teia Nacional reflete a pluralidade do estado. Foram eleitas 13 pessoas de matriz africana e 16 mulheres, demonstrando um compromisso com a representatividade em todos os níveis.
Dilma Negreiros destacou que a composição da delegação confirma que os Pontos de Cultura formam “uma rede de verdade”, que se estende por todo o território, inclusive em cidades menores. “Em cada cidade, por menor e mais longe que esteja, existe cultura responsável, inclusive, por importante contribuição na economia dessas comunidades”, afirmou.
Balanço e perspectivas para a Política Nacional de Cultura Viva
João Pontes, diretor da Política Nacional de Cultura Viva, apresentou um balanço positivo do crescimento da rede, que saltou de cerca de 4 mil para quase 15 mil pontos de cultura no país desde 2023. Ele destacou a importância do investimento e da mobilização da rede para esse avanço.
Pontes ressaltou que este é um momento de avaliação da política, de suas contradições e limitações, mas também de planejamento para o futuro. “Em Aracruz, nós vamos mostrar para o Brasil que os pontos de cultura são grandes, são potentes, são a força política mais importante do campo cultural”, declarou.
Fórum de Matriz Africana e Justiça Climática
Parte da programação do Fórum Estadual coincidiu com o I Fórum Cultura Viva de Matriz Africana – Rio de Janeiro. Os debates abordaram temas como racismo ambiental e o fomento à cultura dos povos de matriz africana, fortalecendo a articulação entre saberes ancestrais, juventude e políticas públicas.
Mestre Aderbal Ashogun Moreira, coordenador do Pontão de Cultura Articula Matriz Africana, ressaltou a importância de discutir racismo ao abordar a justiça climática. “É impossível discutir justiça climática sem debater racismo”, afirmou, destacando a conquista do assento de povos de matriz africana no Conselho Nacional de Políticas Culturais.
Dilma Negreiros também manifestou a indignação pela não realização da “Teia dos Sonhos”, um encontro preparatório para a Teia Nacional. Ela enfatizou que cada ponto de cultura é uma “escola de cidadania” e um ato de resistência. “Onde há ponto de cultura, há vida pulsando, e onde há cultura viva, há futuro sendo construído”, concluiu.
Fonte: G1
