Prefeito Eduardo Paes se pronuncia sobre prisão de vereador
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), reiterou nesta quinta-feira (12) sua defesa ao vereador Salvino Oliveira (PSD), preso na véspera sob suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho. Em coletiva de imprensa, Paes declarou que apoiará o vereador até que os crimes que lhe são imputados sejam comprovados.
“Estou, até agora, aguardando as provas em relação ao vereador Salvino. Eu estou defendendo aqui nesse momento e eu vou defender até que me provem o contrário. Não passo a mão na cabeça de vagabundo”, afirmou o prefeito, comparando a situação com o caso do ex-secretário Alexandre Pinto, condenado por fraudes na construção do BRT Transcarioca.
Paes relembrou sua trajetória como prefeito e os casos de corrupção que já enfrentou, mas enfatizou a diferença entre a situação de Pinto e a atual de Salvino Oliveira. Ele descreveu Salvino como um jovem que conheceu na Cidade de Deus, que estudava e estagiava na Defensoria Pública, e que o ajudou em sua campanha política.
Relação próxima e confiança no vereador
O prefeito assumiu ser próximo de Salvino Oliveira, destacando que o considera uma aposta pessoal. Paes relatou ter conhecido o vereador quando ele era estudante e estagiava na Defensoria Pública, além de cursar UFRJ, e que mesmo assim dedicava tempo para ajudar em sua campanha.
“Se tiver alguma prova contra o vereador Salvino, eu vou ficar com o coração partido. Porque é um jovem que eu vi formando, que estimulei, nomeei secretário, ajudei a ser eleito vereador… Se tiver alguma coisa contra ele, eu não me omito”, declarou Paes, demonstrando a confiança que deposita no jovem parlamentar.
Operação policial e alegações contra Salvino Oliveira
Salvino Oliveira foi preso no âmbito da operação Contenção Red Legacy, que investiga a estrutura do Comando Vermelho e envolve também seis policiais militares. Segundo as investigações, o vereador, que foi secretário de Juventude do governo Paes entre 2021 e 2024, teria negociado com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, permissão para realizar campanha eleitoral em área dominada pela facção.
Em troca, o parlamentar teria articulado benefícios para a facção, apresentados publicamente como ações voltadas à comunidade local. A instalação de quiosques na região é um dos exemplos investigados.
Críticas à operação e defesa da inocência
Paes criticou a atuação da Polícia Civil, apontando incoerências nas provas apresentadas. O prefeito argumentou que mensagens foram reunidas sem contexto e que a alegação de que Salvino se autointitulava “cria da Cidade de Deus” é inaceitável, pois o vereador não escolheu nascer em um território dominado pelo crime.
“E, se depender de mim, se Deus quiser, a justiça vai ser feita e muito em breve ele vai ser solto, e vai continuar lutando muito como cria da Cidade de Deus, por aquela comunidade, por aquela gente mais pobre. É inaceitável esse circo que nós vimos ontem, inaceitável. É um monte de laçação, um monte de acusação infundada, enxertadas”, concluiu.
Posicionamento da defesa
Por meio de nota, a defesa de Salvino Oliveira repudiou veementemente as acusações da Polícia Civil, lamentou as medidas tomadas contra o vereador e afirmou que a prisão se baseou em uma narrativa sem provas, com o objetivo de macular sua reputação.
A defesa acrescentou que o vereador confia na Justiça e provará sua inocência durante o processo, demonstrando a seriedade e a lisura de seu trabalho à sociedade que o elegeu.
Fonte: G1
