Paes acusa "forças ocultas" na Anac de quererem reverter política de sucesso do Galeão

Paes acusa “forças ocultas” na Anac de quererem reverter política de sucesso do Galeão

Prefeito do Rio critica Anac por possível alteração em política aeroportuária O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, expressou forte descontentamento com um movimento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que sugere a redução da limitação de passageiros no Aeroporto Santos Dumont. Segundo Paes, essa ação vai na contramão dos esforços do governo […]

Resumo

Prefeito do Rio critica Anac por possível alteração em política aeroportuária

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, expressou forte descontentamento com um movimento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que sugere a redução da limitação de passageiros no Aeroporto Santos Dumont. Segundo Paes, essa ação vai na contramão dos esforços do governo federal para impulsionar o Aeroporto Internacional do Galeão.

Em suas redes sociais, Paes afirmou que “forças ocultas” estariam atuando na Anac para modificar uma política bem-sucedida de coordenação do sistema aeroportuário do Rio, que visava fortalecer o Galeão. Ele citou um despacho da Anac de 17 de dezembro convocando companhias aéreas para uma reunião onde a mudança teria sido comunicada, classificando o ato como “inacreditável” e grave por se basear em parâmetros de um acordo no TCU que, segundo ele, visava preservar a política pública.

Desde o início de 2024, a operação coordenada entre Santos Dumont e Galeão tem sido apontada por autoridades e especialistas como crucial para a retomada do aeroporto internacional. A limitação de 6,5 milhões de passageiros anuais no Santos Dumont permitiu um aumento significativo no fluxo de viajantes no Galeão, que registrou 14,6 milhões de passageiros entre janeiro e outubro deste ano, mais que o dobro do registrado no mesmo período de dois anos atrás.

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Números comprovam sucesso da coordenação aeroportuária

Eduardo Paes destacou que os números dos últimos dois anos demonstram o sucesso da medida, com recorde de passageiros em 2025 (17 milhões contra 8 milhões em 2023) e um aumento de mais de 2 milhões de turistas internacionais. Esses dados consolidam o reconhecimento da política que beneficiou o Rio de Janeiro e o Brasil.

O prefeito também mencionou que a companhia Latam estaria agindo contra os interesses do Rio, embora sem detalhar o posicionamento da empresa. A RIOgaleão, concessionária do Galeão, informou que a coordenação dos aeroportos cariocas contribui para o desenvolvimento econômico da cidade, do estado e do país, e que mantém políticas para atrair empresas aéreas, passageiros e novos negócios.

Anac e Ministério respondem às acusações

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que as medidas em avaliação não terão efeito imediato e que qualquer ampliação da capacidade do Santos Dumont ocorrerá de forma gradual, a partir do último trimestre de 2026, de maneira planejada e alinhada ao interesse público.

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A Anac, por sua vez, recebeu a postagem de Paes com surpresa e negou qualquer atuação “às escuras” ou a existência de “forças ocultas”. A agência sustenta que está cumprindo a política estabelecida pelo Ministério de Portos e Aeroportos, chancelada pelo TCU e alinhada às decisões do governo federal. A flexibilização nas restrições do Santos Dumont, segundo a Anac, decorre do acordo aprovado no TCU e visa preservar a política de coordenação aeroportuária e a sustentabilidade do Galeão.

TCU e a definição de limites para os aeroportos

O acordo aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em junho deste ano reformulou o contrato com a RIOgaleão e permitiu a sua continuidade na gestão do aeroporto internacional. A decisão estabeleceu que um cronograma com estimativas de volume anual de passageiros no Santos Dumont serviria de referência para a revisão do contrato do Galeão. Essas previsões, feitas pelo Ministério de Portos e Aeroportos, funcionariam como balizadores de compensações a serem pagas pela nova concessionária do Galeão.

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O relator do processo no TCU, ministro Augusto Nardes, esclareceu em sua decisão que o Poder Público não está vinculado aos limites citados no acordo, ou seja, o governo não tem a obrigação de alterar o volume de passageiros permitido ao Santos Dumont. O texto original do acordo previa uma transição de três anos para o fim da limitação no Santos Dumont, mas essa opção não vincula o poder público a um prazo específico, servindo apenas como uma sinalização de intenção.

Especialistas como Delmo Pinho, ex-secretário de Transporte do Rio, e Fernando Villela, da FGV Direito Rio, concordam que a movimentação da Anac está atrelada ao acordo do TCU. Pinho alerta que um aumento no Santos Dumont pode prejudicar o Galeão, derrubando o trabalho de atração de voos e conexões internacionais. Villela ressalta a necessidade de tempo para as companhias aéreas reprogramarem suas malhas diante da liberação de capacidade.

Fonte: G1

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