Operações Policiais na Maré: 160 Mortes e Violações de Direitos em Dez Anos, Aponta Pesquisa

Operações Policiais na Maré: 160 Mortes e Violações de Direitos em Dez Anos, Aponta Pesquisa

Maré: Uma Década de Violência e Seus Impactos Devastadores Um estudo detalhado sobre as operações policiais no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, entre 2016 e 2025, revelou um cenário alarmante: 231 operações resultaram em 160 mortes e mais de 1.500 casos de violência e violação de direitos. O levantamento, divulgado pelo projeto “De […]

Resumo

Maré: Uma Década de Violência e Seus Impactos Devastadores

Um estudo detalhado sobre as operações policiais no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, entre 2016 e 2025, revelou um cenário alarmante: 231 operações resultaram em 160 mortes e mais de 1.500 casos de violência e violação de direitos. O levantamento, divulgado pelo projeto “De Olho na Maré” e parte da 9ª edição do Boletim Direito à Segurança Pública na Maré 2025, lança luz sobre os impactos profundos na vida dos moradores.

A pesquisa, realizada pela Redes da Maré, organização da sociedade civil atuante na região, também aponta para o desrespeito repetido a direitos básicos como educação e saúde. Os dados coletados ao longo de dez anos de monitoramento independente oferecem uma visão crítica da segurança pública no território, buscando acionar mecanismos de órgãos como o Ministério Público Federal e o Unicef para a definição de ações mitigadoras.

Os números apresentados não se limitam às perdas de vidas. O estudo detalha como a violência armada e as operações policiais afetam o cotidiano de cerca de 140 mil residentes, impactando o acesso a serviços essenciais e gerando um ciclo de medo e insegurança. As conclusões do boletim serão apresentadas em um congresso internacional sobre segurança pública.

Leia também:  Presidente em Exercício da Alerj Exonera Ex-Secretário de Polícia Civil de Cargo Estratégico na Casa Legislativa

Educação e Saúde Sob Ataque das Operações Policiais

As operações policiais na Maré causaram o fechamento de 163 dias de unidades escolares públicas no período analisado, o que equivale à perda de aproximadamente um ano letivo para crianças e adolescentes da comunidade. Na área da saúde, somente em 2025, o fechamento de unidades por 14 dias impediu a realização de 7.866 acompanhamentos médicos essenciais. Em 2025, foram registradas 16 operações, com 12 mortes.

A Falha na Investigação e a Falta de Perícia

Um dado alarmante destacado pela pesquisa é a baixa realização de perícias em locais de crime. Das 160 mortes registradas entre 2016 e 2025, apenas 16 tiveram o serviço de perícia realizado, e somente um caso resultou em denúncia formal. “O Estado não conseguiu garantir a perícia de local, a preservação da cena do crime e muito menos a denúncia desses casos”, afirmou Tainá Alvarenga, coordenadora do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça. A justificativa oficial para a não realização das perícias é a instabilidade dos territórios.

Leia também:  Programa Segurança Presente no Rio de Janeiro Recebe 140 Novas Viaturas e 100 Bicicletas Elétricas para Ampliar Patrulhamento

Letalidade Crescente e Uso de Helicópteros como Plataforma de Tiro

Em 2025, apesar de um número menor de operações (16) em comparação com 2024 (42), a letalidade proporcional aumentou em 58%, com 12 mortes. Isso indica que cada operação teve maior probabilidade de resultar em morte, caracterizando uma concentração da violência com operações menos frequentes, porém mais agressivas. O uso de helicópteros como plataforma de tiro também foi recorrente em 2025, com oito operações utilizando a aeronave, quatro delas para disparos, registrando-se ao menos 308 marcas de tiros em áreas próximas a escolas e clínicas.

Políticas Públicas e a Esperança na Mobilização Cidadã

A coordenadora Tainá Alvarenga ressalta que os dados coletados podem subsidiar a criação de políticas públicas mais eficazes. Ela defende que o reconhecimento da potência da população da Maré e da experiência da Redes da Maré poderia mitigar o padrão de violações que ocorre há décadas. Apesar da frustração, a organização expressa esperança na mobilização social e na produção de conhecimento local como ferramentas de enfrentamento da violência.

Leia também:  Forças de Segurança do Rio Prendem Lideranças Criminosas de Cinco Estados em Uma Semana

Respostas Oficiais e Contrapontos

Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro afirmou desconhecer a metodologia da pesquisa e destacou que atua com base em critérios técnicos, inteligência e planejamento, visando a repressão ao crime organizado e a preservação de vidas. A instituição ressalta que todos os casos são rigorosamente investigados e que a perícia integra esse processo. A Polícia Civil atribui o confronto ao criminoso, que colocaria em risco a vida de policiais e moradores ao instalar “bunkers” em áreas sensíveis.

Fonte: g1.globo.com

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode deixar de perder em seu e-mail.

Veja também:

Chegamos ao fim!