Turismo em Ilha Grande sofre com nova taxa de entrada
A Ilha Grande, em Angra dos Reis, enfrenta um cenário de incerteza no setor turístico com a iminente implementação de uma nova taxa de entrada para visitantes, prevista para janeiro. A medida, apelidada de “pedágio da Ilha Grande” pelo próprio trade turístico, já está provocando uma onda de cancelamentos de reservas, segundo relatos de empresários locais, donos de pousadas e operadores de transporte marítimo.
A cobrança, instituída pela Prefeitura de Angra dos Reis e aprovada pela Câmara Municipal, tem sido alvo de fortes críticas. O setor a considera injusta, desproporcional e implementada sem o devido diálogo com os principais afetados. Em uma região cuja economia depende quase que exclusivamente do turismo, a taxa é vista como um risco direto à manutenção de empregos, renda e à sobrevivência de pequenos negócios.
Turistas têm demonstrado surpresa e insatisfação ao se depararem com o novo custo para acessar a Ilha Grande. Muitos, ao recalcular o orçamento da viagem, optaram por cancelar hospedagens e passeios. Esse cenário é particularmente preocupante por ocorrer em período de alta temporada, quando se espera um aumento no fluxo de visitantes.
Críticas à destinação dos recursos e falta de diálogo
A Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande (AMHIG) ressalta que um estudo técnico encomendado pela própria prefeitura indicava a viabilidade de uma taxa simbólica de R$ 2,70, destinada a um fundo de preservação ambiental. No entanto, a lei aprovada estabeleceu valores superiores e direcionou os recursos para o caixa geral do município, sem garantias de retorno direto para a ilha.
“É mais uma taxa. Já temos as taxas dos transatlânticos, ônibus de turismo, além de embarque e nenhum desses recursos são aplicados no turismo e nem na parte ambiental do Abraão. Não temos nenhuma perspectiva que esses valores serão revertidos para o turismo e Meio Ambiente”, declarou Fábio Ferreira, dono de pousada na ilha.
Prefeitura defende a medida como forma de equilibrar desenvolvimento e preservação
Em contrapartida, a prefeitura afirma que a implementação será gradual e prevê isenções para moradores, familiares, prestadores de serviço, crianças até 12 anos e idosos a partir de 2026, com a entrada em vigor da Taxa de Turismo Sustentável (TTS). O governo defende a iniciativa como uma forma de equilibrar o crescimento do turismo com a preservação do patrimônio natural do município, que anualmente recebe cerca de 1,8 milhão de visitantes, sendo 1,2 milhão apenas na Ilha Grande, reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO.
Segundo a prefeitura, a TTS é resultado de um amplo diálogo com representantes do trade turístico, moradores, vereadores e outros setores. A proposta foi aprimorada com sugestões apresentadas durante as discussões. A partir de 2028, a taxa entrará em vigor com o valor integral, que variará conforme o destino e o tempo de permanência. Para um período de até sete dias em 2026, a taxa será de 5 UFIRs (R$ 23,75) no continente e 10 UFIRs (R$ 47,50) para a Ilha Grande.
Destinação dos recursos e metas de sustentabilidade
A arrecadação será destinada prioritariamente a projetos de saneamento básico, preservação ambiental, segurança pública e infraestrutura turística. Entre as metas estão o alcance de “Esgoto Zero” e “Lixo Zero” até 2028, a revitalização de cais estratégicos, a implantação do Observatório do Turismo e o reforço da segurança com câmeras inteligentes e contratação de policiais.
A AMHIG, por sua vez, critica a abordagem: “Ordenamento se faz com gestão, não com taxação. A AMHIG é contra e vai continuar lutando contra essa vergonha e a favor de um turismo realmente sustentável na Ilha Grande.” A entidade alerta que a redução de visitantes pode gerar um efeito cascata negativo em toda a cadeia produtiva do turismo local.
Fonte: O Dia
