Niterói registra aumento alarmante nos roubos em 2025, revertendo anos de queda
Após um período de relativa tranquilidade nas ruas, Niterói, na Região Metropolitana do Rio, volta a registrar um crescimento preocupante nos índices de roubo. O primeiro semestre de 2025 apresentou um aumento de 20,6% nos ataques a pedestres, contrastando com a tendência de queda observada desde 2020. A escalada da criminalidade afeta principalmente bairros centrais e movimentados da cidade.
O Mapa do Crime, ferramenta interativa que monitora ocorrências criminais, aponta que, além dos roubos a transeuntes, roubos de celular e de veículos também apresentaram elevações significativas. Esses dados indicam uma mudança no cenário de segurança pública do município, que até então apresentava resultados positivos na redução da criminalidade.
As estatísticas revelam que o aumento da criminalidade não é homogêneo em toda a cidade, concentrando-se em alguns bairros específicos que puxam os números gerais para cima. O Centro da cidade, em particular, tornou-se o epicentro de diversos tipos de crimes, registrando recordes em roubos de celular e a pedestres.
Centro de Niterói lidera aumento de roubos e atrai criminosos
O bairro do Centro de Niterói se destaca como o mais afetado pelo aumento da criminalidade em 2025. Foram registrados 134 casos de roubo de celular e 55 ataques a transeuntes no primeiro semestre, os maiores números da série histórica do Mapa do Crime, iniciada em 2020. Essa concentração de crimes representa um terço dos assaltos a pedestres e um quarto dos roubos de celular de toda a cidade.
Segundo Alberto Kopittke, consultor de Segurança Pública para a prefeitura de Niterói, as iniciativas de revitalização do Centro, que aumentaram o fluxo de pessoas, especialmente à noite, acabam atraindo criminosos em busca de celulares. A alta demanda por aparelhos roubados alimenta um ciclo de receptação e revenda ilegal.
Icaraí e Fonseca sofrem com roubos de celulares e disputa de facções
O bairro do Icaraí, conhecido por ser o mais populoso e ter o metro quadrado mais valorizado de Niterói, também viu um aumento expressivo nos roubos de celular. Foram 32 ocorrências no primeiro semestre de 2025, mais que o triplo do registrado no ano anterior, representando um aumento de 255%.
Já o bairro do Fonseca registrou aumentos expressivos em roubos a transeuntes (20,5%), roubos de celulares (175%) e roubos de veículos (75%). Moradores relatam que a oscilação na segurança está ligada à disputa entre facções criminosas que atuam na região, com relatos de proibições de assaltos após repercussão de casos específicos.
Investigações da Polícia Civil apontam a Feira do Laranjal, em São Gonçalo, como um destino de aparelhos roubados em Niterói. Um receptador foi preso em flagrante na operação, com dezenas de aparelhos em sua posse, alguns provenientes de crimes na cidade vizinha. Ele foi condenado a 21 anos de prisão.
Barreto e Itaipu preocupam por roubos de veículos nas proximidades de outras cidades
Os bairros do Barreto e Itaipu registraram o maior aumento nos roubos de veículos. Itaipu, vizinho de Maricá, passou de dois casos em 2024 para 13 em 2025. O Barreto, próximo a São Gonçalo, viu as ocorrências dobrarem, de oito para 16. Inquéritos policiais apuram a relação dos roubos em Itaipu com ferros-velhos clandestinos.
Em contrapartida, o roubo em coletivo é o único indicador que manteve a tendência de queda em Niterói, com o menor número da série histórica em 2025. A redução é atribuída a um trabalho conjunto de mapeamento entre prefeitura e polícias.
Apesar do aumento recente, os índices de roubo em Niterói permanecem inferiores aos da capital fluminense, com bairros niteroienses apresentando números mais baixos que alguns bairros cariocas, mesmo com população significativamente maior.
A Prefeitura de Niterói afirmou que a segurança é uma prioridade, com ações focadas em integração, tecnologia e monitoramento de dados. A Polícia Militar destacou medidas operacionais que resultaram em um “terceiro trimestre histórico” com quedas em diversos índices criminais.
Fonte: O Globo
