MP-RJ investiga suposta influência do TCP na Alerj
O Ministério Público do Rio (MP-RJ) afirma que a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) alcançou a estrutura política da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Segundo a investigação, parlamentares estariam utilizando seus cargos para facilitar ações ligadas ao tráfico de drogas, em detrimento do interesse público.
A alegação consta em um documento enviado à Justiça para solicitar buscas contra o deputado estadual Val Ceasa (PRD). O MP-RJ declarou que o TCP “também se entranhou nas vísceras da Casa Legislativa”, comparando a situação com uma investigação anterior envolvendo o ex-deputado TH Joias e a facção Comando Vermelho (CV).
A investigação sugere que, enquanto o CV teria se infiltrado na Alerj em apurações passadas, a atual investigação indica a presença da facção rival, o TCP, também na Assembleia.
Val Ceasa e a suposta lavagem de dinheiro
Uma das frentes de investigação citadas pelo MP-RJ envolve Val Ceasa. Um procedimento policial de 2016 aponta o deputado como responsável por lavar dinheiro para um grupo criminoso que atua em comunidades da Zona Norte do Rio, como Acari, Para Pedro e Amarelinho. O grupo seria responsável pela venda de drogas nessas regiões.
De acordo com o documento, Val Ceasa permitiria que traficantes e milicianos cobrassem taxas de comerciantes da Ceasa. O MP-RJ não detalhou os métodos de lavagem de dinheiro ou de cobrança de taxas, mas solicitou acesso a dados financeiros dos investigados e de pessoas ligadas a eles.
Interferência em festas e demolições
Outra linha de investigação aponta para o ex-vereador Ulisses Marins. O MP-RJ cita o depoimento de Brenno Carnevale, então secretário municipal de Ordem Pública, sobre um episódio envolvendo festas juninas no Complexo de Israel. A área é marcada pelo uso de símbolos religiosos pelo tráfico, e Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, chefe do TCP na região, é descrito como um traficante que utiliza discurso evangélico.
Segundo o relato, Ulisses Marins teria aparecido em uma festa junina e, após conversar com o pároco local, afirmou que a ordem de proibição da festa não parecia ter partido de Peixão. Ele teria saído para averiguar e retornado com um homem que reproduziu um áudio atribuído a Peixão, negando a proibição das festas.
Val Ceasa e Ulisses Marins também são suspeitos de terem interferido na operação para demolir imóveis usados pelo TCP em Parada de Lucas, incluindo um local conhecido como “resort do Peixão”. Segundo o MP-RJ, os parlamentares teriam visitado um batalhão da Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa de demolição.
Reações e desdobramentos
Em sua defesa, Val Ceasa negou as acusações, afirmando que buscou o então prefeito Eduardo Paes para solicitar uma vila olímpica no local, em vez da demolição. Eduardo Paes, por sua vez, publicou nas redes sociais que a operação de demolição teve origem em uma denúncia da Prefeitura contra construções irregulares em áreas de influência do crime organizado e que jamais autorizaria uma vila olímpica ali.
A Ceasa informou que Val Ceasa não possui influência na gestão da instituição. A reportagem busca contato com as defesas dos investigados.
Fonte: G1
