Valorização Imobiliária no Rio de Janeiro Supera a Média Nacional
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro apresentou um crescimento impressionante, com o preço dos lançamentos de imóveis novos registrando uma alta de 68,51% nos 12 meses encerrados em março de 2026. Este aumento expressivo, que elevou o metro quadrado a R$ 12.849,63, supera significativamente a variação média do país (10,06%) e a inflação da construção civil (6,17% pelo INCC) no mesmo período, conforme o Índice de Lançamentos Imobiliários (ILI) DataZAP.
Essa forte retomada residencial na capital fluminense é atribuída, em grande parte, a um conjunto de mudanças regulatórias implementadas nos últimos anos. Especialistas apontam que a atualização da legislação urbanística abriu novas frentes de desenvolvimento e permitiu a exploração de áreas antes subutilizadas, reaquecendo o mercado.
O cenário de valorização também é impulsionado pelo aquecimento do turismo na cidade, que aumenta a demanda por imóveis, especialmente em regiões com vocação turística. A combinação desses fatores contribui para um cenário de preços em ascensão, consolidando a recuperação do setor.
Novas Leis Impulsionam o Mercado Imobiliário Carioca
Segundo Leonardo Mesquita, vice-presidente de Negócios da Cury Construtora e presidente da Ademi-RJ, a valorização está diretamente ligada a mudanças regulatórias. “O Rio de Janeiro passou por uma mudança de legislação que proporcionou aumento de empreendimentos na cidade, permitindo que antigas áreas voltassem a ser exploradas”, explicou.
Marcos como o novo Código de Obras (2019), o programa Reviver Centro (2021) e o novo Plano Diretor (aprovado no fim de 2024) ampliaram as possibilidades de desenvolvimento imobiliário em diversas regiões da cidade, conferindo mais dinamismo ao setor.
Correção de Competitividade e Novos Perfis de Imóveis
Claudio Hermolin, presidente do Sinduscon-Rio, afirma que essas mudanças ajudaram a corrigir uma perda de competitividade histórica. O Rio, que já foi o segundo maior mercado imobiliário do país, perdeu espaço para outras capitais. “São Paulo era 3,5 vezes o mercado do Rio. Em 2016 e 2017, essa diferença chegou a 6,5 vezes”, destacou.
A legislação atualizada trouxe mais simplicidade na aprovação de projetos e maior segurança jurídica. Um dos efeitos mais notáveis foi a viabilização do desenvolvimento em larga escala de imóveis compactos, inclusive com dispensa de vagas de garagem em certas áreas. Esse novo perfil de lançamento contribui para a alta do preço médio do metro quadrado, pois imóveis menores tendem a ter um valor por metro quadrado mais elevado.
“Quanto menor o imóvel, maior acaba saindo o preço do metro quadrado. E, até 2019, não havia legislação que possibilitasse a expansão desse tipo de unidade, de compactos, no Rio. Só que essa demanda sempre esteve ali. Estava represada”, ressaltou Hermolin.
Turismo e Demanda por Curta Temporada Elevam Preços
O aquecimento do turismo no Rio de Janeiro também é um fator relevante para a popularização e valorização dos imóveis. Em 2025, a cidade recebeu 12,5 milhões de turistas, um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior, com destaque para o crescimento de 44,8% nos visitantes internacionais.
Esse movimento contribui para pressionar os preços, especialmente em áreas com forte vocação turística. “A volta dos empreendimentos na Zona Sul e o fator de recuperação da cidade em relação ao turismo nos últimos anos ajudam a explicar esse cenário. Aquece a demanda e pressiona o preço no mercado imobiliário”, disse Mesquita.
A demanda contínua por hospedagem, aliada ao crescimento das locações de curta temporada e ao aumento de compradores estrangeiros em bairros nobres, sustenta preços mais elevados em parte dos lançamentos. No entanto, Mesquita aponta que o segmento de alto padrão continua sendo o principal motor dessa valorização, enquanto a habitação popular ainda enfrenta obstáculos.
Fonte: InfoMoney
