Tragédia em Irajá: Família chora jovem morta e teme reação de filho de 4 anos
A dor de Daniele Cristine Flores, mãe de Allana Flores da Silva Miranda Martires, de 21 anos, vai além da perda da filha, vítima de um tiroteio em Irajá, Zona Norte do Rio. A principal preocupação agora é com o filho de Allana, um menino de apenas 4 anos que, segundo a avó, ainda não compreende a gravidade da situação.
“Ele pergunta o que aconteceu, e a gente explicou. Ele brinca, depois fala que a mãe foi morar no céu. Pede para dormir… Ainda não está assimilando. E com o passar dos dias será pior”, relatou Daniele, em meio a lágrimas, ao jornal DIA. A avó lamenta que este será o primeiro Natal sem a presença da filha.
Allana foi atingida por uma bala perdida enquanto se dirigia a um salão de beleza na Estrada Coronel Vieira, na comunidade Rio d’Ouro. O local, que já foi residência da família, era considerado tranquilo. A mãe da vítima, de 47 anos, conta que a jovem foi ao local porque todos diziam que o dia estava calmo.
Confronto repentino interrompe a vida de jovem cheia de sonhos
O confronto entre traficantes começou de forma súbita, pegando todos de surpresa. Allana chegou ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, em parada cardiorrespiratória. Apesar dos esforços médicos, ela não resistiu a um “tiro forte no peito”, como descreveu a mãe.
Daniele também expressou preocupação com o aumento da violência em Irajá. “O problema de Irajá sempre foi muito assalto. Mas nunca teve guerra de tráfico. Isso começou de uns meses para cá”, disse, ressaltando que o local do crime é frequentado por pessoas em busca de oração e que era um lugar muito tranquilo.
Sonho de casa própria e crescimento profissional interrompidos
Allana, que morava com a mãe, dois irmãos e o filho, havia acabado de concluir um curso de técnica em enfermagem. Seu objetivo era iniciar a carreira profissional para juntar dinheiro e comprar uma casa própria.
“A Allana era uma jovem cheia de sonhos, estava buscando crescimento para poder cuidar do filho dela. Ia começar a trabalhar agora e tinha o sonho de conquistar uma casa, para ter o cantinho dela, com o filho”, detalhou a mãe, com a voz embargada.
O corpo de Allana foi velado e sepultado na segunda-feira (22), no Crematório Memorial do Rio, em Cordovil, também na Zona Norte da cidade.
Fonte: Acervo pessoal
