Condenação em júri popular: os três réus pelo assassinato do advogado Rodrigo Crespo pegam 30 anos de prisão
A Justiça do Rio de Janeiro proferiu nesta sexta-feira (6) a sentença para os três réus acusados pela morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, ocorrida em fevereiro de 2024, no Centro da cidade. Em um júri popular, Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondego e Eduardo Sobreira de Moraes foram condenados por homicídio triplamente qualificado e concurso de pessoas. As qualificadoras incluem emboscada, recurso que dificultou a defesa da vítima, motivo torpe, uso de arma de fogo de uso restrito e vantagem para organização criminosa.
A decisão do juiz Cariel Bezerra Patriota destacou indícios da participação de todos os réus em uma organização criminosa altamente estruturada, com divisão de tarefas e agindo como um “verdadeiro estado paralelo”. O policial militar Leandro Machado da Silva, conhecido como ‘Cara de Pedra’, foi condenado a 30 anos de reclusão e teve seu cargo público perdido. Cezar Daniel Mondego, o ‘Russo’, e Eduardo Sobreira de Moraes também receberam a mesma pena. As defesas dos condenados já anunciaram que irão recorrer da decisão.
De acordo com as investigações da Divisão de Homicídios da Capital, o grupo criminoso já monitorava Rodrigo Crespo desde outubro de 2023. Anotações com as placas dos veículos do advogado foram encontradas em celulares de investigados, indicando um planejamento prévio para o crime. A organização criminosa em questão é sediada em Duque de Caxias e seria liderada pelo bicheiro Adilson Coutinho Filho, o Adilsinho, preso recentemente.
O papel de cada condenado no crime
O policial militar Leandro Machado da Silva teria sido o responsável por providenciar os carros utilizados na execução. Cezar Daniel Mondego, segundo a acusação, atuou no monitoramento da vítima. Já Eduardo Sobreira de Moraes teria seguido os passos de Rodrigo Crespo, dirigindo o veículo para Mondego durante o acompanhamento antes do assassinato. Os três se tornaram réus em abril de 2024, quando a denúncia do Ministério Público foi aceita.
Motivação: disputa por mercado de apostas
O Ministério Público aponta que o desejo de Rodrigo Crespo de ingressar no mercado de apostas esportivas e abrir uma casa de apostas em Botafogo, na Zona Sul do Rio, foi o motivo por trás de sua execução. Essa área, que antes era dominada por Bernardo Bello, passou a ser controlada pelo bicheiro Adilsinho. “Ele (Crespo) queria montar esse Sports Bar na área do patrão deles”, explicou um promotor do MP-RJ, referindo-se aos réus.
Defesas contestam a decisão e alegam falta de provas
As defesas dos condenados apresentaram suas contestações durante o júri. A defesa de Eduardo Sobreira alegou que ele era apenas o motorista de Cézar Mondego e desconhecia os motivos do monitoramento. A defesa de Cézar Mondego afirmou que ele foi contratado por um marido traído para investigar a suposta infidelidade da esposa, sem conhecimento sobre o plano de assassinato ou ligação com organização criminosa. Já a defesa de Leandro Machado classificou as acusações como “caça às bruxas”, negando qualquer prova de que o policial tenha ordenado ou planejado a morte do advogado.
Fonte: G1
