A vocação de Itaboraí: do cimento para a história ao patrimônio da humanidade
A cerca de 40 minutos de Niterói pela BR-101, encontra-se Itaboraí, uma cidade com uma história rica e fundamental para o desenvolvimento do Rio de Janeiro. O município não só forneceu o calcário essencial para a construção do Maracanã e da Ponte Rio-Niterói, mas também abriga um dos mais importantes sítios paleontológicos do estado, reconhecido internacionalmente.
Entre as décadas de 1930 e 1980, a Companhia Nacional de Cimento Mauá explorou a Bacia de São José, extraindo o calcário que se transformou no cimento utilizado em duas das maiores obras de engenharia do Rio de Janeiro. A exploração deixou como legado uma cratera de 70 metros, que hoje forma um lago e se tornou o cartão-postal do Parque Natural Municipal Paleontológico de São José de Itaboraí.
Este parque, criado em 1995, guarda fósseis continentais com cerca de 55 milhões de anos, do período Paleoceno. A importância geológica e paleontológica do local é tamanha que foi eleito pela SIGEP, ligada à UNESCO, como um dos patrimônios da humanidade. Fósseis do tatu mais antigo do mundo e do ancestral das emas foram descobertos ali, e uma das Idades Mamíferos Terrestres Sul-Americanas foi batizada de “Itaboraiense”, termo usado mundialmente por paleontólogos.
Um roteiro de um dia entre ciência, história e natureza
Itaboraí oferece um roteiro conciso que mescla descobertas científicas, marcos históricos e belezas naturais preservadas. Um dia de passeio pode começar pelo Parque Paleontológico de São José, com seu museu de fósseis originais, réplica de preguiça-gigante e trilha guiada até o deck do lago. O agendamento para visitas pode ser feito pelo e-mail visitas@ppsji.itaborai.rj.gov.br.
Em seguida, o visitante pode conhecer a Igreja Matriz de São João Batista, uma construção barroca de 1684, tombada pelo IPHAN. O centro histórico também abriga o Palacete Visconde de Itaboraí, que já hospedou a Família Real Portuguesa e a Família Imperial Brasileira. Para os amantes da natureza, a Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, o manguezal mais preservado da Baía de Guanabara, oferece visitas guiadas em barco pelo ICMBio.
O refúgio de manguezal e a importância da APA de Guapimirim
A APA de Guapimirim, criada em 1984, é a primeira unidade de conservação de manguezais do Brasil e abrange cerca de 14 mil hectares. Ela protege a última grande faixa de mangue da Baía de Guanabara, servindo de habitat para espécies ameaçadas como o jacaré-do-papo-amarelo e o boto-cinza, além de 172 espécies de aves catalogadas. Os cinco rios limpos que deságuam na Guanabara passam por esta região vital.
Como chegar e a melhor época para visitar
Para chegar a Itaboraí de Niterói, o trajeto pela BR-101 (sentido norte) leva de 30 a 45 minutos. A Viação 1001 também opera linhas diretas de ônibus do Terminal Rodoviário de Niterói. O clima em Itaboraí é quente e úmido, com chuvas concentradas no verão, sendo as estações mais secas ideais para visitas.
Itaboraí se revela um destino imperdível para quem busca uma imersão em ciência, história e natureza. A cidade discreta, a menos de uma hora de Niterói, sustenta com sua história e recursos naturais dois dos maiores símbolos do Rio de Janeiro, provando que vale a pena a viagem de fim de semana.
Fonte: G1
