Flávio Bolsonaro Adia Definição de Candidato ao Senado no Rio de Janeiro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado por aliados a adiar a escolha do candidato do partido ao Senado pelo Rio de Janeiro. A decisão surge após uma série de operações da Polícia Federal (PF) atingirem nomes considerados para a vaga, além de casos de inelegibilidade.
A estratégia visa reduzir a exposição do futuro indicado antes do registro oficial das candidaturas, mas a postergação já gera tensões internas no PL, que se aproxima da reta final do calendário eleitoral sem um nome definido para a chapa majoritária.
A recomendação para que Flávio Bolsonaro segure o anúncio partiu de interlocutores próximos ao senador. O raciocínio é que revelar o nome antecipadamente o submeteria a semanas de escrutínio público e possíveis crises antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral.
Impacto das Investigações da PF e Inelegibilidades na Chapa
Em menos de dois meses, a chapa bolsonarista no Rio de Janeiro viu três nomes potenciais para o Senado serem afetados por investigações ou por decisões judiciais. O ex-governador Cláudio Castro (PL) foi o primeiro a desistir após ser declarado inelegível pelo TSE e se tornar alvo de operações da PF relacionadas a fraudes no setor de combustíveis e ao RioPrevidência.
O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), indicado pela federação União Brasil-PP, foi preso em flagrante durante a Operação Unha e Carne. Já o deputado Sósthenes Cavalcante (PL-RJ) perdeu força após investigações sobre um suposto esquema de desvio de cotas parlamentares, com a apuração de R$ 468 mil em dinheiro vivo em um imóvel ligado a ele.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), outro nome cogitado, também foi alvo de uma operação da PF em dezembro do ano passado, o que diminuiu seu capital político para a disputa.
Tensão Interna e Impasse no PL Carioca
A estratégia de adiamento não é um consenso dentro do PL. A demora na definição tem aumentado a insatisfação entre dirigentes estaduais e parlamentares, que cobram uma definição em um momento crucial do calendário eleitoral. As convenções partidárias ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, e a ausência de um candidato confirmado ao Senado deixa o partido sem um palanque estruturado.
A avaliação interna é que o risco político de antecipar a decisão supera qualquer ganho de visibilidade. No entanto, quanto mais o anúncio é postergado, menor o tempo para o candidato construir visibilidade e consolidar apoios. A tendência é que a definição ocorra na convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, ou até mesmo depois disso.
Fonte: O Globo
