Fenasamba questiona repasse milionário para escolas de samba do Rio
A recente destinação de R$ 12 milhões do Ministério da Cultura e da Embratur para as escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro gerou repercussão. O valor, repassado à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) para ser dividido entre as 12 agremiações, foi criticado pela Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba).
Fundada em 2018, a Fenasamba representa diversas agremiações carnavalescas em todo o Brasil e se posiciona como defensora de políticas públicas de alcance nacional. A entidade manifestou preocupação e discordância com a concentração de recursos federais em um único grupo e local, argumentando que isso desconsidera a dimensão nacional do Carnaval brasileiro.
Em nota oficial, a Fenasamba destacou a importância do Carnaval do Rio para a imagem do Brasil, mas ressaltou que as escolas de samba estão presentes em todas as regiões do país, movimentando economias locais e fortalecendo identidades culturais. A entidade defende que os recursos sejam distribuídos de forma equitativa e inclusiva, contemplando as agremiações filiadas a ligas e federações de todo o Brasil.
Justificativas para o investimento no Rio
Marcelo Freixo, presidente da Embratur, defendeu o investimento, citando a impressionante audiência do Carnaval do Rio de Janeiro. Ele apontou que, em 2024, mais de 78 milhões de pessoas foram impactadas pelos conteúdos carnavalescos no Brasil, e que as transmissões internacionais levam a imagem da Sapucaí para mais de 170 países.
Freixo também enfatizou que o investimento no Carnaval e no turismo vai além do lazer, sendo um motor de geração de emprego e renda para todas as classes sociais, atuando durante todo o ano. Ele ressaltou que o evento é um dos festivais mais famosos e desejados do mundo, consolidando o Brasil como destino turístico.
Fenasamba defende a descentralização e a pluralidade
A nota da Fenasamba reitera que as escolas de samba, em todo o Brasil, mobilizam economias locais, geram empregos, fortalecem culturas e promovem inclusão social. Ao direcionar recursos exclusivamente para o Rio, o governo deixaria de reconhecer e fortalecer um ecossistema cultural amplo, plural e descentralizado.
A entidade propõe que os recursos destinados ao Carnaval das escolas de samba sejam estruturados a partir de políticas públicas nacionais, com critérios transparentes e equitativos. O objetivo é contemplar as escolas de samba de todo o país, respeitando as diferentes realidades regionais e fortalecendo a diversidade cultural brasileira.
A Fenasamba afirmou que continuará dialogando com o Ministério da Cultura, a Embratur e outros órgãos do governo para construir soluções que reconheçam o Carnaval como uma manifestação cultural nacional, que transcende um único desfile ou cidade.
Fonte: g1.globo.com
