Artista Caru Brandi expõe sua visão sobre a transição de gênero no Rio de Janeiro
A cidade do Rio de Janeiro recebe, pela primeira vez, uma exposição individual do artista gaúcho transmasculino não-binário Caru Brandi. A mostra, intitulada ‘Fabulações Transviadas de Caru Brandi’, está em cartaz no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), no Catete, até o dia 22 de abril. O evento é uma celebração da cultura trans e da produção artística de companheiros do artista, sendo um marco para a comunidade, com Brandi sendo o primeiro artista trans a expor no local.
A exposição apresenta um olhar lúdico e crítico sobre o processo de transição de gênero, através de cerâmicas e pinturas. As obras exploram a ficcionalidade e o autoconhecimento que emergiram a partir de 2018, período que coincide com a transição de gênero do artista. Brandi relata que sua arte se transformou radicalmente após sua imersão na comunidade transmasculina e não-binária, distanciando-se de sua fase anterior mais realista.
A trajetória de Caru Brandi é marcada pela transição da advocacia para as artes visuais. Formado em Direito em 2021, ele descobriu na pintura e no desenho ferramentas essenciais para se conectar com sua identidade e a comunidade trans. Atualmente, cursa Artes Visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e atua como arte-educador na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.
Performance e Vivências na Inauguração
A abertura da exposição contou com a oficina ‘Imaginários do barro’, guiada pelo próprio artista, proporcionando uma vivência prática em escultura de cerâmica. O público também pôde assistir a performances de Maru e Kayodê Andrade, artistas da cena ballroom brasileira. Brandi ressaltou a importância de trazer artistas da ballroom para a mostra, enfatizando que suas obras, embora baseadas em vivências pessoais, falam sobre coletividade e a comunidade trans.
Visibilidade e Reconhecimento da Diversidade Trans
Caru Brandi destaca o papel fundamental da exposição em dar visibilidade a vivências muitas vezes invisibilizadas, promovendo o conhecimento sobre a diversidade do universo trans. O antropólogo Patrick Monteiro do Nascimento Silva, responsável pelo catálogo, afirma que a mostra desafia dicotomias sobre o que é humano, natural, homem e mulher. A iniciativa também se alinha com os esforços do Iphan em valorizar os patrimônios da comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil.
Um Novo Horizonte para a Arte Popular
Rafael Barros, diretor do CNFCP, celebra a inédita presença de um artista trans na Sala do Artista Popular, descrevendo o trabalho de Brandi como singular e expressivo. Ele acredita que a exposição expande os limites do conceito de arte popular, trazendo uma nova perspectiva sobre o tema e o lugar do artista popular na sociedade contemporânea, reconhecendo os universos não-binários e queer como parte integrante da arte popular.
Fonte: G1
