O Rio de Janeiro vive um boom no mercado imobiliário de estúdios, impulsionado por investidores estrangeiros e pela alta do turismo.
O mercado imobiliário carioca está aquecido, com um número crescente de estrangeiros investindo em apartamentos compactos, os chamados estúdios. Essas unidades, com cerca de 30 metros quadrados, tornaram-se um atrativo para quem busca rentabilizar com aluguel por temporada, impulsionado por plataformas como o Airbnb.
A retomada do fluxo turístico pós-pandemia, aliada à modernização dos processos de compra para quem vive no exterior, fortalece essa tendência. A participação de proprietários estrangeiros em alguns portfólios imobiliários saltou de 2% para 18% em apenas três anos, com compradores da Europa, América Latina, América do Norte e Emirados Árabes Unidos.
O câmbio favorável também desempenha um papel crucial, com moedas estrangeiras valorizadas frente ao real, tornando as aquisições no Rio mais atrativas. Em alguns lançamentos na Zona Sul, estrangeiros já representam entre 20% e 30% das vendas, com destaque para argentinos na compra de estúdios em bairros como Copacabana, Ipanema e Leblon.
Turismo e demanda por imóveis compactos
A procura por acomodações de curta duração tem crescido consistentemente, favorecendo o aumento das vendas de estúdios voltados para esse mercado. A estratégia de muitos compradores é utilizar o imóvel em períodos específicos e alugá-lo quando desocupado, garantindo retorno financeiro.
Câmbio favorável amplia interesse internacional
A valorização das moedas estrangeiras frente ao real tem sido um fator decisivo para a aquisição de imóveis no Rio. Com o dólar em patamares elevados, investidores internacionais encontram oportunidades mais vantajosas em comparação a outros mercados globais. Empresas do setor registram um aumento significativo na presença estrangeira em lançamentos imobiliários, especialmente na Zona Sul.
Aluguel por temporada divide opiniões
A expansão das locações de curta duração gera debates na cidade. Enquanto defensores apontam o aumento das opções de hospedagem e a democratização do turismo, moradores e entidades de bairro expressam preocupações com o impacto nos aluguéis tradicionais e questões de segurança e convivência em condomínios.
Regulamentação segue em discussão
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro discute a regulamentação do aluguel por temporada. Recentemente, o STJ decidiu que condomínios podem exigir autorização em assembleia para permitir locações de curta duração, com aprovação de, no mínimo, dois terços dos condôminos. O Airbnb se posiciona a favor da atividade, destacando sua legitimidade e o benefício financeiro para os proprietários.
Fenômeno dos estúdios avança além da Zona Sul
O crescimento dos estúdios não se restringe às áreas turísticas. Programas como o Reviver Centro incentivam novos empreendimentos compactos na região central. Mudanças na legislação urbanística também facilitam a construção de unidades menores, alinhando-se a transformações demográficas nacionais, como a redução do tamanho das famílias e a busca por moradias mais práticas.
Preços variam conforme a localização
Os valores dos estúdios no Rio de Janeiro variam significativamente. No Centro, lançamentos podem custar a partir de R$ 360 mil. Em Copacabana, os preços podem chegar a R$ 900 mil, e em bairros como Ipanema e Leblon, um estúdio de 30m² pode ultrapassar R$ 1,5 milhão, dependendo do valor do metro quadrado, que pode atingir R$ 50 mil nessas regiões.
Mercado aposta na continuidade do crescimento
Representantes do setor imobiliário acreditam que o mercado carioca ainda está longe de uma bolha imobiliária. O contínuo aumento do turismo, incentivos urbanísticos e o crescente interesse de investidores estrangeiros sustentam a expectativa de expansão do segmento nos próximos anos. O fortalecimento do Rio como destino turístico global reforça o potencial de investimento em estúdios.
Fonte: G1
