Espetáculo "Desfazenda" no Rio: a história real de crianças escravizadas vira arte potente e crítica

Espetáculo “Desfazenda” no Rio: a história real de crianças escravizadas vira arte potente e crítica

Uma história de horror real transformada em arte engajada Uma história chocante de exploração infantil ocorrida décadas após a abolição da escravatura no Brasil ganha os palcos do Rio de Janeiro. O espetáculo “Desfazenda – Me Enterrem Fora Desse Lugar”, baseado em fatos reais, estreia no Sesc Tijuca nesta quinta-feira (26) e promete provocar uma […]

Resumo

Uma história de horror real transformada em arte engajada

Uma história chocante de exploração infantil ocorrida décadas após a abolição da escravatura no Brasil ganha os palcos do Rio de Janeiro. O espetáculo “Desfazenda – Me Enterrem Fora Desse Lugar”, baseado em fatos reais, estreia no Sesc Tijuca nesta quinta-feira (26) e promete provocar uma reflexão profunda sobre as violências que ainda afetam a população negra.

Em 1930, cerca de 50 crianças negras foram retiradas de um orfanato no Rio de Janeiro e levadas para uma fazenda no interior de São Paulo, onde foram submetidas à escravidão. A peça, que já conquistou prêmios importantes como o APCA de “Melhor Espetáculo Virtual de 2021”, aborda a continuidade da necropolítica que assombra os corpos negros no Brasil.

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A montagem, dirigida por Roberta Estrela D’Alva e com dramaturgia de Lucas Moura, é uma produção do grupo O Bonde e se destaca por sua abordagem minimalista e potente. Utilizando apenas a força de quatro intérpretes e uma caixa preta, a peça constrói atmosferas densas através da luz, som e da musicalidade da palavra, influenciada pelo teatro hip-hop e pela cultura das batalhas de poesia.

Minimalismo e potência em cena

“É um espetáculo que evoca uma energia muito densa. A luz revela, esconde, opina e constrói atmosferas. Já a música dá o pulso da narrativa. A ideia é que o espectador, em muitos momentos, tenha a sensação de estar diante de um quadro ou até mesmo de um filme acontecendo ao vivo”, explica Filipe Celestino, ator e co-fundador do O Bonde.

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A peça se inspira livremente no documentário “Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil”, que também narra essa trágica história. A dramaturgia aposta no ritmo e na força das vozes em cena, transformando som e fala em verdadeiros motores da narrativa. Os beats acompanham os monólogos e diálogos, conduzindo o espectador por uma experiência sensorial que se distancia do teatro tradicional.

Serviço completo para o público

“Desfazenda – Me Enterrem Fora Desse Lugar” fica em cartaz no Sesc Tijuca (Teatro II) de 26 de fevereiro a 22 de março. As apresentações ocorrem de quinta a sábado, às 19h, e aos domingos, às 18h. As sessões de domingo contam com acessibilidade em Libras.

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Os ingressos são gratuitos para o público do PCG, com opções de meia-entrada a R$ 15 e inteira a R$ 30. A classificação indicativa é de 14 anos. O Sesc Tijuca está localizado na R. Barão de Mesquita, 539 – Tijuca, Rio de Janeiro – RJ.

Fonte: G1

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