Paes deixa cargo municipal em meio a polêmicas e alinhamentos políticos inesperados
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), renunciou ao cargo nesta sexta-feira (20) para concorrer ao governo estadual. A decisão descumpre uma promessa de campanha de concluir seu mandato, mas sinaliza uma estratégia eleitoral que busca atrair o voto conservador.
Em sua última semana na prefeitura, Paes protagonizou embates com o governador Cláudio Castro (PL) em áreas como transportes e segurança pública. Simultaneamente, adotou um discurso de linha dura, utilizando o termo “neutralizar” para se referir a confrontos com criminosos, numa tentativa de dialogar com o eleitorado bolsonarista, majoritário no estado.
Apesar de garantir apoio ao presidente Lula nas eleições, Paes tem buscado proximidade com figuras alinhadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A indicação de Washington Reis (MDB) para a vice, por exemplo, aproxima o prefeito de um potencial adversário do petista. Conforme informação divulgada pela Folhapress.
Estratégia eleitoral e descontentamento com o governo estadual
Eduardo Paes justificou sua candidatura ao governo como uma forma de “contribuir ainda mais com a cidade”. Aliados defendem que a mudança não gerará rejeição, pois pesquisas internas indicariam que os eleitores de Paes desejam sua candidatura ao Palácio Guanabara.
A saída de Paes do cargo de prefeito, onde permaneceu por mais tempo que qualquer outro gestor desde a redemocratização, com 13 anos e 2 meses, abre espaço para o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), de 31 anos, que se tornará o mais jovem a ocupar a prefeitura.
Discurso de “linha dura” em segurança pública
Na área de segurança pública, Paes tem demonstrado apoio às operações policiais, afastando-se das críticas feitas pelo próprio presidente Lula a ações como a do Complexo do Alemão, que resultou em mais de 100 mortes em 2023. O prefeito defendeu as incursões policiais no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, utilizando termos associados ao bolsonarismo.
“Chegou a hora de terminar com a hipocrisia tradicional no Rio: se um delinquente ameaça a vida de um agente do Estado ou de um cidadão, só o Estado constituído tem o dever e o direito de neutralizar esse delinquente”, declarou Paes em suas redes sociais, criticando a “falsa assimetria” em tratar policiais e criminosos.
Conflito no setor de transportes com o governo estadual
Um dos embates recentes de Paes foi com o governador Cláudio Castro, no setor de transportes. A prefeitura iniciou a operação do BRT Metropolitano, ligando a Baixada Fluminense à capital, mas o Departamento Estadual de Transporte Rodoviário (Detro) proibiu a circulação dos ônibus, alegando invasão de atribuições estaduais.
Paes criticou a ação, acusando o governo Castro de “defender a máfia dos ônibus” e de impedir uma solução que reduziria o tempo e o custo para os passageiros da Baixada Fluminense. Após o conflito, um acordo foi firmado para o início da operação da linha.
Fonte: FOLHAPRESS
