Eduardo Paes encerra quarto mandato na prefeitura do Rio de Janeiro
Eduardo Paes (PSD), o prefeito que mais tempo governou o Rio de Janeiro, com 4.827 dias distribuídos em quatro mandatos, renuncia ao cargo para concorrer ao governo do estado. Sua despedida do Palácio da Cidade marca o fim de uma era de gestão com marcas significativas na paisagem urbana, incluindo a derrubada do Elevado da Perimetral e a criação do Boulevard Olímpico na Zona Portuária, além de novos parques e a iniciativa Reviver para a reocupação do Centro.
No entanto, Paes deixa para seu vice, Eduardo Cavaliere, a tarefa de resolver pendências importantes. Entre elas, zerar a fila de espera por consultas médicas e cirurgias na rede pública, uma promessa de campanha ainda não cumprida, e combater a desordem urbana, que se manifesta em queixas recorrentes sobre estacionamento irregular, precariedade na iluminação pública e buracos nas ruas.
Os últimos cinco anos de sua gestão foram marcados por um caixa municipal mais limitado, contrastando com os primeiros mandatos (2009-2016), quando a cidade contou com mais recursos para grandes projetos, como os da Olimpíada de 2016. Mesmo com a receita da venda da Cedae, Paes precisou recorrer a empréstimos para viabilizar obras em suas últimas administrações.
Mobilidade Urbana: Avanços e Desafios Persistentes
Ao retornar à prefeitura após a gestão de Marcelo Crivella, Paes enfrentou o desafio de recuperar o sistema de BRTs e concluir o Transbrasil (trecho Deodoro-Caju), obra que se arrastava há quase uma década e foi inaugurada em março de 2024, com atraso de sete anos. A expansão do VLT e a criação do Terminal de Integração Gentileza (TIG) também fazem parte desse esforço.
O setor de transportes também viu a implementação de um sistema de subsídio para ônibus, visando a recolocação de veículos e a instalação de ar-condicionado, um processo ainda em andamento. A implantação do Jaé, que centralizou a bilhetagem, gerou filas para a emissão de novos cartões, e a reorganização do setor, com a licitação de linhas por regiões, está apenas começando.
A antiga promessa de melhorar a mobilidade na Zona Sul, com um VLT entre Botafogo e Leblon, permaneceu no papel. O projeto, reciclado em 2023 com um custo estimado de R$ 1,7 bilhão, não saiu do planejamento. Em paralelo, houve esforços para revitalizar o Aeroporto Internacional Tom Jobim, buscando atrair mais voos e turistas.
Saúde Pública: Recuperação e Filas de Espera
A prefeitura também se dedicou à recuperação do programa Saúde da Família. Após uma queda na cobertura durante a gestão anterior, a contratação de novos profissionais elevou o percentual de 34,9% para 73,89% da população até o final do ano passado.
Apesar da reorganização da rede de saúde durante a pandemia, com a centralização do tratamento de Covid-19 no Hospital Ronaldo Gazolla, conseguir consultas e exames na rede pública ainda é um desafio. O tempo médio na fila do Sisreg, em 18 de maio, era de 105 dias, uma melhora em relação aos 160 dias de seis anos atrás, mas na cardiologia o tempo de espera pode chegar a 234 dias. Uma promessa cumprida, ao menos parcialmente, foi a oferta do Ozempic na rede municipal, com a primeira aplicação realizada em Campo Grande.
Revitalização Urbana e Obras em Andamento
O programa Reviver Centro busca dar um perfil mais residencial à região central, incentivando a conversão de escritórios e lojas em moradias através de incentivos fiscais e urbanísticos. Das 8.702 unidades autorizadas desde 2021, apenas 1.256 receberam o habite-se.
A revitalização da área do Porto Maravilha, com o Boulevard Olímpico erguido após a demolição da Perimetral, consolidou a região como um novo espaço de lazer. A Estação Leopoldina, na mesma vizinhança, iniciou seu processo de restauração.
Diante de eventos climáticos extremos, a prefeitura investiu na criação de novas áreas verdes pela cidade, seguindo o sucesso do Parque Madureira. Foram abertos os parques Suzana Naspolini (Realengo), Arlindo Cruz (Piedade), Oeste (Inhoaíba) e Pavuna.
A obra mais vultosa desta gestão é o Anel Viário de Campo Grande, com custo de R$ 838 milhões, financiado pelo BNDES. O projeto visa reorganizar o trânsito do maior bairro do Brasil e inclui a construção de dois túneis, um já concluído.
Segurança Pública e Ordem Urbana
Na área de segurança, a prefeitura obteve a aprovação de uma lei que autoriza a Guarda Municipal a portar armas, resultando na criação da Força Municipal, que iniciou patrulhamento há cinco dias com 600 guardas.
Contudo, o projeto de choque de civilidade, anunciado no início do quarto mandato, não avançou como esperado. As queixas sobre desordem urbana, como ocupações irregulares de calçadas, ação de flanelinhas e buracos nas ruas, além da falta de ações efetivas para a população em situação de rua, persistem, indicando um desafio na manutenção da ordem pública.
Fonte: G1
