Paes retoma ataques à segurança pública do Rio e cita ‘cumplicidade com o crime’
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), voltou a criticar a política de segurança do governador Cláudio Castro (PL) em um evento que contou com a presença do chefe de polícia de Nova York, Michael LiPetri. A declaração ocorre em um momento de intensificação das críticas de Paes à gestão estadual, após um período de trégua.
Em tom de pré-campanha ao governo do Estado, Paes questionou o programa Segurança Presente, comandado pela gestão de Castro, e criticou o papel do atual secretário de Governo, André Moura, sem citá-lo diretamente. As declarações foram feitas durante a visita de LiPetri às instalações do Civitas, programa de videomonitoramento em Segurança Pública, e da sala de reuniões Compestat.
Paes afirmou que o programa Segurança Presente, em sua concepção original, era diferente do modelo atual. “Na realidade, quem criou o Segurança Presente fui eu, ao lançar o Lapa Presente (2014) e o Centro Presente (2016). Mas era muito diferente do que é feito hoje”, declarou o prefeito. Ele acrescentou que a coordenação do programa, que antes era dos comandantes locais, agora está sob o comando do secretário estadual de Governo, que, segundo Paes, “nomeia coordenadores por indicação de deputados”.
Fim do acordo político e alianças para eleição
As críticas de Paes ganham força após o anúncio da chapa da direita para a eleição ao governo do Rio, que marcou o fim do acordo entre o prefeito e o governador. Parte central das conversas era viabilizar a vitória do secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione, na eleição indireta prevista para os próximos meses, mas essa possibilidade ficou remota.
A avaliação nos bastidores é que Douglas Ruas (PL) deve ser o candidato ao mandato-tampão, o que lhe daria visibilidade e poder antes da disputa direta com Paes. O prefeito, por sua vez, afirmou a interlocutores que não está “preso” à necessidade de conquistar o governo indiretamente antes da campanha, mas considera importante eleger para o mandato-tampão alguém “da política”.
Acusações de cumplicidade com o crime
Em entrevista à imprensa após o evento, Eduardo Paes foi mais incisivo e declarou que o “governo atual” tem “cumplicidade com o crime, com a tomada de territórios”. Essa acusação representa um endurecimento significativo no discurso do prefeito em relação à segurança pública estadual.
As críticas à política de segurança de Castro haviam arrefecido após a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, considerada a mais letal da história do país e que reabilitou a popularidade de Castro. No entanto, as alfinetadas foram retomadas na semana passada, em eventos que também serviram para o prefeito receber apoio do MDB para a eleição.
Fonte: O Globo
