Paes confirma intenção de concorrer ao governo do Rio e justifica decisão
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), admitiu publicamente que será candidato ao governo do Estado na eleição deste ano. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas, onde Paes argumentou que a política fluminense “carece de liderança” e que tem sido “convocado” pela população para concorrer ao Palácio Guanabara.
Esses argumentos já vinham sendo trabalhados por aliados do prefeito para embasar sua confirmação eleitoral. A novidade surge após Paes, pela primeira vez, admitir publicamente a candidatura no último sábado (17), durante visita a Santo Antônio de Pádua. Até então, ele negava veementemente a possibilidade de deixar a prefeitura para disputar o governo estadual, apesar de aliados já considerarem a hipótese como certa desde sua reeleição em 2024.
“Eu venho, ao longo do ano todo, conversando com muitas lideranças políticas do Estado do Rio de Janeiro. Acho que tem uma identidade natural com os prefeitos, por eu estar na mesma posição [que eles]. A gente percebe essa angústia de um sistema político que tem feito muito mal ao Estado”, declarou Paes aos jornalistas.
Terceira tentativa ao Palácio Guanabara
Esta será a terceira vez que Eduardo Paes disputa o Executivo fluminense. Sua primeira tentativa ocorreu em 2006, quando terminou em quinto lugar. Em 2018, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Wilson Witzel. Desde o início de seu quarto mandato como prefeito do Rio, Paes tem realizado viagens pelo interior do estado para buscar alianças.
Em uma dessas visitas, ao ser questionado sobre um passeio por cidades do interior, Paes cortou o interlocutor e afirmou: “É mentira, não estou fazendo trabalho de visitar cidades do interior. Eu estou fazendo pré-campanha, porque quero os votos para governador e quero o apoio do Paulinho. Pronto, falei.”.
Discurso de saída e planos para o Rio
Paes reforçou os argumentos que vinham sendo alinhados por sua equipe. Os principais pontos são a falta de liderança política no Rio, a “convocação” popular para sua candidatura, a garantia de um vice que dê continuidade ao seu projeto na prefeitura, e a necessidade de apresentar soluções para a crise de segurança pública.
Sobre a sucessão na prefeitura, Paes expressou tranquilidade com a possibilidade de o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) assumir. “O convívio, a maneira de lidar com a administração pública, o governo que ele [Cavaliere] faz parte, que comanda junto comigo, eu tenho certeza que me dá uma tranquilidade de que eu vou ter alguém aqui na cidade para dar continuidade [ao trabalho que está sendo feito]”, afirmou.
Em relação à segurança pública, o prefeito declarou que a crise “tem solução”, mas criticou abordagens que considera irresponsáveis e sem a devida firmeza de um governador. A declaração foi uma alusão indireta a governadores anteriores.
Apoio a Lula e foco estadual
Eduardo Paes também declarou seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, ele ressaltou que, embora seu voto seja no petista, buscará uma aliança ampla no Rio de Janeiro e focará em temas estaduais durante a campanha, evitando pautas nacionais. “Meu apoio é o presidente Lula, mas eu vou tratar do Rio de Janeiro. Não sou candidato a presidente do Brasil, portanto não vou ficar tratando questões nacional”, concluiu.
Fonte: G1
