Bastidores da estratégia da direita para 2026 no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, ganha protagonismo nas eleições de 2026. Enquanto Lula conta com o apoio de Eduardo Paes (PSD), a oposição busca um nome forte para enfrentar o atual prefeito. A escolha recaiu sobre Douglas Ruas, deputado estadual e secretário estadual de Cidades, visto como ideal para compor uma aliança capaz de desafiar o favoritismo de Paes.
A definição ocorreu em uma reunião em Brasília, onde a cúpula do PL discutiu a melhor estratégia para o Rio. O governador Cláudio Castro (PL) planeja se desincompatibilizar para concorrer ao Senado, abrindo caminho para uma eleição indireta para o governo. Flávio Bolsonaro articulou com Castro para que Ruas seja eleito governador interino, conferindo-lhe a vantagem de disputar a eleição no cargo.
Essa movimentação visa evitar um cenário semelhante a 2024, quando a tentativa de lançar Alexandre Ramagem foi considerada improvisada e fracassada. A nova estratégia busca organizar a direita fluminense para uma disputa mais competitiva.
Douglas Ruas: O nome em ascensão da direita fluminense
Apesar de ainda ser um nome relativamente desconhecido, Douglas Ruas possui credenciais que o credenciam para a disputa. Foi o segundo deputado estadual mais votado no Rio, com mais de 175 mil votos. Como secretário de Cidades, tem bom trânsito com os prefeitos, tendo conversado com mais de setenta dos 92 municípios do estado.
Ruas tem focado em dar visibilidade em regiões estratégicas, como a Baixada Fluminense e o interior do estado, com compromissos públicos e participação em inaugurações. O senador Bruno Bonetti (PL) avalia que “os números indicam que quem o conhece vota no Ruas”.
Capitão Nelson e a força da Baixada Fluminense
O principal cabo eleitoral de Douglas Ruas é seu pai, Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo, segundo maior município do Rio. A região metropolitana, com cerca de 5,5 milhões de habitantes, é o foco principal da chapa, que conta com Rogerio Lisboa (PP) como candidato a vice-governador e Márcio Canella (União Brasil) para uma das vagas de senador.
O PL pretende explorar o perfil conservador e evangélico de Ruas, enquanto busca associar Eduardo Paes ao lulismo, visando atrair votos no interior conservador do estado. A pauta da segurança pública, alinhada ao perfil de policial civil de Ruas, também será um pilar da campanha.
Estratégias de confronto com Eduardo Paes
A oposição mira nas fragilidades da gestão de Eduardo Paes, especialmente em relação à criminalidade na capital, apesar das tentativas de reformular a Guarda Municipal. A estratégia é contrastar o perfil de Ruas com o de Paes, que busca um verniz conservador com a escolha de Jane Reis para vice, irmã do bolsonarista Washington Reis.
Jane Reis, casada com um pastor da Assembleia de Deus, tem experiência em campanhas familiares e busca dialogar com o público evangélico e lideranças regionais. A entrada de Ruas na disputa promete equilibrar a corrida eleitoral no Rio de Janeiro, que até então parecia favorável a Eduardo Paes.
Fonte: VEJA
