Eduardo Paes questiona eleição indireta para governo do Rio e se coloca à disposição para disputa direta
O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), manifestou forte oposição à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de convocar uma eleição indireta para preencher o mandato-tampão do governo estadual, após a renúncia de Cláudio Castro (PL). Paes argumenta que a população deveria ter o direito de escolher seus representantes e declarou que apresentará seu nome como candidato caso o pleito seja direto.
A posição de Paes diverge da linha oficial do PSD, que indicou ao jornal O Globo que a sigla irá cumprir a determinação da Corte Eleitoral. A fala do ex-prefeito surge em meio a debates jurídicos e políticos sobre a sucessão no governo fluminense, intensificados após a cassação de Castro pelo TSE.
Em suas redes sociais, Eduardo Paes questionou a imparcialidade de um processo eleitoral conduzido por um colegiado cujos membros, em sua maioria, teriam sido eleitos utilizando um esquema investigado e considerado irregular pelo próprio TSE. Ele se refere diretamente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), local onde a votação indireta seria realizada.
Cassação de Cláudio Castro e o debate sobre eleição direta
A declaração de Paes remete à condenação de Cláudio Castro pelo TSE, relacionada ao uso da estrutura da Fundação Ceperj e da Uerj durante sua campanha de reeleição em 2022. A investigação apontou para a contratação de cabos eleitorais e a distribuição de cargos e recursos públicos com o objetivo de ampliar o apoio político.
“Colocarei meu nome como candidato com diretas já ou nas eleições de outubro, mas seria importante que a justiça que tardou no caso Ceperj pudesse ter a atenção necessária com o que se passa no Rio”, afirmou Paes. Ele se desincompatibilizou de seu cargo na sexta-feira anterior para estar apto a disputar eleições, visando tanto um eventual pleito antecipado quanto as eleições gerais de outubro.
PSD questiona prazos e articulações para a sucessão
O PSD também levantou questionamentos sobre as regras definidas pelo TSE para a eleição indireta, focando na redução do prazo para desincompatibilização de cargos públicos, que passou de seis meses para 24 horas, conforme aprovado pela Alerj. Paes criticou a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) validar essa redução, o que, segundo ele, favoreceria a continuidade do grupo político cassado.
A sigla enviou um ofício ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, solicitando consulta ao TSE antes de convocar a eleição indireta. O PSD argumenta que a renúncia de Castro na véspera do julgamento que o cassou configura uma tentativa de evitar uma disputa direta.
O presidente estadual do PSD no Rio, Pedro Paulo, declarou que a decisão judicial de eleição indireta será cumprida e que o partido terá candidaturas para a presidência da Alerj e para o mandato-tampão. No entanto, ele ressaltou que Eduardo Paes só concorrerá em eleições diretas para governador, descartando sua participação na eleição indireta.
Fonte: O Globo
