Mistério sobre bens apreendidos: Onde foram parar dinheiro e joias de bicheiro após 15 anos?
Em 2011, uma operação policial cinematográfica, com rapel de helicóptero na cobertura do bicheiro Aniz Abraão David, em Copacabana, resultou na apreensão de bens valiosos. Agora, quase 15 anos depois, o desfecho do caso se torna ainda mais inusitado: o dinheiro e as joias apreendidos não são encontrados para serem devolvidos ao contraventor, que foi absolvido das acusações.
A juíza Marcela Assad, da 1ª Vara Criminal de Teresópolis, determinou a restituição dos bens, mas as autoridades responsáveis pela custódia não conseguiram localizar os itens. Até o momento, apenas as obras de arte apreendidas foram localizadas e estão sob a guarda do Museu Nacional de Belas Artes.
O caso levanta sérias questões sobre a guarda e a rastreabilidade de bens apreendidos pela polícia. Enquanto as obras de arte seguem um trâmite para devolução, a ausência do dinheiro e das joias gera estranhamento e frustração para a defesa do bicheiro, que busca reaver seus bens após a absolvição.
Bens valiosos apreendidos em operação histórica
A lista de bens apreendidos na Operação Dedo de Deus, em 2011, é extensa. Inclui 155 joias, como relógios, pulseiras, brincos e colares de ouro e diamantes, além de dinheiro em moeda nacional e estrangeira (dólar e euro). Três obras de arte também foram recolhidas: uma tela de Heitor dos Prazeres, pioneiro do samba e das escolas de samba, e duas de Maurício Barbato.
Obras de arte localizadas, joias e dinheiro desaparecidos
O Museu Nacional de Belas Artes confirmou que as obras de arte estão sob sua guarda como fiel depositário. No entanto, a instituição busca o processo administrativo para formalizar a devolução. A grande dificuldade, segundo o advogado de Anísio, Ubiratan Guedes, reside na localização das joias e do dinheiro.
Polícia Civil e bancos em desencontro de informações
Documentos no processo indicam um depósito de R$ 115.430 em nome da Corregedoria da Polícia Civil, referente à operação. Contudo, a defesa alega que a polícia não expediu ofícios para localizar o montante. A Corregedoria informou à Justiça que o dinheiro foi recebido por uma funcionária da Caixa Econômica Federal no início de 2012, e depois retificou a informação, indicando o Banco do Brasil. Consultas posteriores em ambos os bancos não resultaram na localização dos valores.
A situação das joias é similar. A Caixa comunicou à Justiça a impossibilidade de identificar a agência responsável pela custódia dos objetos, apesar de ter informações sobre os envelopes. A Polícia Civil, em nota, afirmou que o depósito e acautelamento dos bens são feitos para preservá-los e que não cabe à Polícia Civil sua devolução após a judicialização, indicando que o dinheiro nacional estaria no Itaú e o restante no Banco do Brasil, informações que os próprios bancos negam ter registro.
Fonte: O Globo
