Organização e Brutalidade do Comando Vermelho Expostas em Diálogos Confidenciais
Conversas interceptadas entre líderes do Comando Vermelho (CV), como Edgar Alves de Andrade, o Doca, e Carlos Costa Neves, o Gardenal, revelam a estrutura organizacional e a crueldade da facção. O inquérito da Polícia Civil, que fundamentou a operação Contenção Red Legacy, detalha desde o planejamento de execuções sumárias até a estratégia para a conquista de novos territórios.
As comunicações demonstram a frieza com que decisões de vida ou morte são tomadas, além de um planejamento tático para expansão territorial. A polícia aponta que essa organização é incompatível com ações improvisadas, indicando um modus operandi bem definido.
Essas revelações expõem a complexidade das operações do CV, que vão desde a eliminação de rivais e o controle de comunidades até negociações que resultam na absorção de territórios antes dominados por outros grupos criminosos.
Execução Planejada e Ocultação de Corpos
Um exemplo chocante da atuação do CV foi a captura de um jovem na Gardênia Azul. Após receber uma foto do indivíduo, que morava em uma favela dominada pela milícia em Jacarepaguá, Doca ordenou: “manda sumir”. A polícia interpretou a ação como uma execução sumária com ocultação de corpo, baseada na descoberta de fotos de milicianos armados no celular da vítima.
Invasão Coordenada e Violência Estratégica
O planejamento para a invasão do Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, em fevereiro de 2025, também foi detalhado. Doca instruiu que era preciso “entrar matando” na comunidade, que era alvo de disputa com o Terceiro Comando Puro. Gardenal, por sua vez, organizou a entrada de sete carros do CV por diferentes pontos da favela, com o objetivo de se encontrarem no alto da comunidade.
A Polícia Civil analisou que essa tática demonstra “planejamento tático, padronização operacional e coordenação prévia”, evidenciando um alto grau de organização.
Absorção Territorial e Negociação com Milícias
Nem todas as conquistas territoriais do CV ocorrem apenas pela força. O inquérito aponta que a facção invadiu mais de 40 comunidades no Rio nos últimos três anos, muitas vezes através de negociações. Um exemplo é a negociação com o miliciano Phellipe de Souza Batista, o Tikinho, então chefe da favela da Taboinha.
Tikinho se dispôs a negociar o controle da comunidade com o CV no Complexo da Penha. A polícia aponta que a favela hoje é dominada pelo Comando Vermelho, o que demonstra um “processo contínuo e bem-sucedido de absorção territorial”.
Um mapa enviado por Tikinho revelou que, de 13 comunidades na região das Vargens, pelo menos dez controladas pela milícia em março de 2025 foram posteriormente tomadas pelo CV. Essa estratégia é vista pela polícia como compatível com a lógica de cartelização criminosa.
Fonte: g1.globo.com
