Defesa de Jairinho busca adiar júri de Henry Borel e contesta perícia
A poucos dias do julgamento de Jairo Souza Santos, o Jairinho, acusado pela morte de seu enteado Henry Borel em 2021, a defesa do ex-vereador entrou com um pedido para suspender o Tribunal do Júri, agendado para 23 de março. O pedido também visa impedir a utilização dos laudos de necrópsia durante a sessão.
A estratégia da defesa se baseia na alegação de que o perito responsável pelo caso teria modificado os documentos após uma conversa com outra perita, contratada pelo pai de Henry, Leniel Borel. Os advogados argumentam que os relatórios foram manipulados, resultando na inclusão de evidências consideradas “falsas”.
A morte do menino Henry Borel, que tinha 4 anos na época, completou cinco anos no último dia 8. Ele foi levado ao hospital pela mãe, Monique Medeiros, e por Jairinho, apresentando marcas roxas pelo corpo. Jairinho é acusado de ter agredido Henry até a morte.
Controvérsias sobre os laudos de necrópsia
A defesa de Jairinho sustenta que Henry chegou ao hospital vivo e sem hematomas, e que as marcas encontradas teriam sido causadas pela própria equipe médica durante as tentativas de ressuscitação. Para embasar essa tese, os advogados apresentaram mensagens trocadas entre Leniel Borel, seu advogado e uma perita, levantando dúvidas sobre a credibilidade dos laudos emitidos pelo Instituto Médico Legal (IML).
As mensagens indicam que a perita Gabriela Graça, da Polícia Civil, teria sido contatada por Leniel e, a pedido de delegados, ofereceu ajuda ao perito responsável pelo caso. A defesa de Jairinho alega que essa colaboração configura uma consultoria antiética à parte interessada na condenação de seu cliente, o que tornaria a prova pericial flagrantemente ilegal.
O laudo de Henry Borel foi alterado sete vezes. Antes da liberação do corpo, ocorreram três modificações. Quase um mês após a interação entre Leniel e Gabriela, o documento passou por mais quatro alterações. O médico legista responsável pelo caso confirmou em juízo ter conversado com outros peritos, incluindo Gabriela, para debater as lesões e obter mais segurança nas conclusões.
Reações e posicionamentos oficiais
A Polícia Civil afirmou em nota que a investigação seguiu critérios técnicos e que a causa da morte ficou clara desde o início, indicando violência. A instituição repudiou tentativas de descredibilizar o trabalho de seus profissionais com o objetivo de beneficiar os acusados.
Leniel Borel expressou indignação com a movimentação da defesa de Jairinho às vésperas do júri, classificando-a como mais uma tentativa de tumultuar o processo e desviar o foco da brutal morte de seu filho. Ele reafirmou sua confiança na Justiça e no trabalho das instituições.
O advogado Cristiano Medina da Rocha, assistente de acusação, considerou a ação da defesa uma tentativa de reeditar teses antigas sem apresentar novidades jurídicas, visando adiar o julgamento. Ele também refutou a ideia de cumplicidade, destacando que as autoridades atuaram em busca da verdade real.
Fonte: O DIA
