Deam Digital revoluciona o atendimento a mulheres vítimas de violência no Rio de Janeiro
A Polícia Civil do Rio de Janeiro inaugurou em março a Deam Digital, a primeira delegacia especializada de atendimento à mulher totalmente online do estado. A iniciativa visa superar as dificuldades que muitas mulheres enfrentam para denunciar casos de violência, como medo, vergonha, dependência financeira, deficiência ou longas distâncias.
A plataforma permite que vítimas registrem ocorrências de forma rápida, segura e sem a necessidade de se deslocar até uma delegacia física. Coordenada pela delegada Renata do Amaral, a unidade tem alcance em todos os 92 municípios do estado e já demonstra resultados significativos desde seu período experimental, iniciado no fim de 2025.
O Rio de Janeiro conta com apenas 15 Delegacias de Atendimento à Mulher (Deams) físicas para atender uma população distribuída em 92 cidades, o que evidencia um grande desafio no combate à violência de gênero, especialmente nas regiões do interior. A Deam Digital surge como uma solução para democratizar o acesso à justiça e ao acolhimento especializado.
Atendimento ágil e acessível para vítimas em todo o estado
O funcionamento da Deam Digital é simples: a vítima acessa o sistema de Registro de Ocorrência Online da Polícia Civil, preenche um formulário e passa a ser acompanhada por uma equipe disponível 24 horas. Um dos grandes diferenciais é a rapidez, com o Registro de Ocorrência (RO) sendo gerado em média em até 15 minutos.
Em mais 15 minutos, o caso pode ser analisado e encaminhado ao Poder Judiciário, especialmente em pedidos de medida protetiva de urgência. A plataforma também permite o envio de provas digitais, como fotos, prints de conversas, áudios e vídeos, fortalecendo os registros e agilizando os procedimentos.
Quem pode usar a Deam Digital e suas limitações
A Deam Digital foi pensada para mulheres que enfrentam barreiras reais para acessar uma delegacia, incluindo aquelas que moram em áreas remotas, dependem financeiramente do agressor, têm filhos pequenos sem rede de apoio, possuem deficiências ou enfrentam longas jornadas de trabalho. O atendimento digital também alivia a superlotação das unidades físicas, oferecendo mais discrição e agilidade.
No entanto, a plataforma possui critérios específicos. Apenas a própria vítima pode registrar a ocorrência, não sendo permitido o envio por terceiros. Crimes graves como feminicídio, estupro e ocorrências de menor potencial ofensivo não podem ser registrados pela plataforma, pois exigem atendimento presencial e procedimentos periciais imediatos.
Resultados e contexto nacional de combate à violência de gênero
Durante o período experimental de três meses, a Deam Digital registrou um total de 922 ocorrências. Foram deferidas 78 medidas protetivas de urgência (53,06%), 43 indeferidas (29,25%) e 26 ainda estavam em análise (17,69%). Esses números demonstram a importância da iniciativa e a rapidez na resposta institucional.
A criação da Deam Digital ocorre em um contexto nacional alarmante, com um aumento no número de feminicídios em 2025. Medidas legislativas, como a lei do homicídio vicário, que integra a Lei Maria da Penha, buscam ampliar a proteção às mulheres, tipificando crimes cometidos por meio de terceiros e prevendo penas mais severas.
A plataforma também é fundamental para combater a subnotificação, oferecendo um canal acessível para mulheres que antes não conseguiam denunciar. A delegada Renata do Amaral ressalta que a Deam Digital é uma nova porta de entrada e que quanto mais canais de atendimento existirem, maior a chance de proteger as vítimas.
O link para acesso à Deam Digital é: https://delegaciaonline.pcivil.rj.gov.br/deam-digital/aviso-importante
Fonte: O Globo
