A complexa teia de decisões e renuncias que paralisou o Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro vive um momento de profunda instabilidade institucional, com um vácuo simultâneo nos três níveis de sucessão do poder executivo. A crise, que se desenrola há meses, atingiu um novo patamar com uma série de decisões judiciais, renúncias e disputas internas que culminaram na necessidade de o Judiciário assumir temporariamente o comando do estado.
A situação é inédita e reflete um complexo jogo político e jurídico, onde cada movimento de um protagonista reverbera em todo o sistema. A ausência de um governador, vice e a paralisia na Assembleia Legislativa criaram um cenário de incertezas, mas que possui raízes em eventos específicos e nas ações de figuras centrais.
Entender os papéis de cada um é fundamental para compreender a dinâmica da atual confusão política no Rio de Janeiro. Acompanhe um perfil dos principais personagens envolvidos nesta crise sem precedentes. (conforme informação divulgada pelo g1).
Thiago Pampolha: o primeiro a sair
Eleito vice-governador, Thiago Pampolha deu o pontapé inicial na crise ao renunciar ao cargo em maio de 2025. Sua saída visava assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o que, de imediato, deixou o estado sem um substituto direto para o governador.
Cláudio Castro: o centro da tempestade
O governador Cláudio Castro (PL) foi o epicentro da crise ao renunciar na véspera de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele foi condenado por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022, tornando-se inelegível até 2030. A decisão do TSE, com placar de 5 a 2, criou uma dupla vacância no Executivo, pois não havia vice-governador.
Rodrigo Bacellar: o terceiro na linha sucessória e seus problemas judiciais
O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), era o terceiro na linha de sucessão. No entanto, ele já estava afastado do cargo desde dezembro de 2025, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em uma investigação por obstrução de justiça e suspeita de vazamento de informações sigilosas. Seu mandato de deputado estadual foi cassado e ele foi preso novamente em março de 2025.
Douglas Ruas: a eleição que foi anulada
Em meio ao impasse, o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ) foi eleito presidente da Alerj em uma votação extraordinária. Contudo, a eleição foi anulada pela Justiça do Rio de Janeiro horas depois, sob alegação de irregularidades no processo.
Ricardo Couto de Castro: o Judiciário assume o comando
Com o Executivo e o Legislativo travados, o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), assumiu interinamente o cargo de governador. A suspensão das eleições indiretas pelo STF mantém o estado sob comando interino do Judiciário.
Eduardo Paes e André Ceciliano: a oposição ativa
O prefeito do Rio e pré-candidato ao governo, Eduardo Paes (PSD), acompanha a crise de perto, articulando politicamente e utilizando seu partido para questionar as regras da eleição indireta. André Ceciliano (PT-RJ), ex-presidente da Alerj, também se posiciona como um potencial candidato no cenário de disputa pelo mandato-tampão.
Fonte: G1
