Rede “Artigo 5º” busca dialogar com poder público e sociedade civil para aprimorar a segurança no Rio de Janeiro.
Em um momento de instabilidade política e agravamento da violência no estado, pesquisadores e dirigentes de instituições científicas do Rio de Janeiro lançaram a Rede Universitária Segurança Pública para Todos RJ, denominada “Artigo 5º”. A iniciativa tem como objetivo principal a produção de diagnósticos e a influência na formulação de políticas públicas de segurança, com base em dados e estudos científicos.
O lançamento oficial ocorreu no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), em Botafogo. A rede congrega universidades renomadas como Fiocruz, UFRJ, Uerj, UFF e PUC-Rio, além de núcleos especializados no estudo da violência urbana, como o Laboratório de Análise da Violência (LAV/Uerj) e o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF). A proposta é sistematizar informações e ampliar o acesso a dados sobre a área de segurança pública, promovendo um debate mais qualificado sobre o tema.
A mobilização ganhou força após a Operação Contenção, que resultou em um alto número de mortes nos complexos da Penha e do Alemão. Para os membros da rede, o episódio evidenciou as limitações de abordagens de segurança focadas exclusivamente no confronto armado. “Queremos ser um contraponto a essa lógica e mostrar que é possível diagnosticar, planejar e executar políticas eficazes sem ferir preceitos constitucionais”, afirma o pesquisador João Trajano Sento-Sé, do LAV/Uerj.
Portal de Dados e Pesquisas será lançado para acesso público
Durante o evento de lançamento, foi apresentado o portal da rede, que funcionará como um centro de referência para dados e pesquisas sobre violência e criminalidade. O acesso será aberto ao público, com o intuito de democratizar o conhecimento e fomentar a participação social na discussão sobre segurança.
Ciência como ferramenta para a proteção da vida
O presidente da Fiocruz, Mário Moreira, destacou a importância da iniciativa, ressaltando que “a segurança pública é um desafio complexo, que exige políticas baseadas em evidências e foco na proteção da vida”. A rede conta ainda com o apoio de entidades importantes como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Associação de Docentes da UFRJ (AdUFRJ), demonstrando a ampla adesão da comunidade acadêmica e científica à proposta.
Debate sobre o papel da ciência na segurança pública
A programação do lançamento incluiu apresentações de estudos relevantes e um debate entre dirigentes de instituições sobre o papel fundamental que a ciência pode desempenhar na construção de políticas de segurança pública mais eficazes e humanas. A iniciativa busca, portanto, aproximar a produção acadêmica da formulação de políticas públicas, contribuindo para um Rio de Janeiro mais seguro e justo.
Fonte: G1
