Comissão da OEA cobra justiça e responsabilização após megaoperação letal no Rio de Janeiro
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), divulgou nesta sexta-feira (6) suas observações oficiais após uma visita ao Brasil em dezembro de 2025. O documento foca na grave situação da segurança pública no Rio de Janeiro, com destaque para os desdobramentos da ‘Operação Contenção’, considerada a mais letal da história do estado.
Durante a visita, a delegação da CIDH se reuniu com autoridades federais, estaduais e municipais, além de visitar o Complexo da Penha. O objetivo foi ouvir lideranças comunitárias e familiares de vítimas sobre os impactos das ações policiais em áreas vulneráveis e as dificuldades no acesso à justiça.
A Comissão enfatizou a necessidade de fortalecer a responsabilização dos envolvidos e garantir a reparação integral às vítimas. O órgão também solicitou a adoção de medidas práticas para prevenir a repetição de episódios semelhantes, ressaltando a importância do equilíbrio entre segurança pública e direitos humanos.
Relembre a letal ‘Operação Contenção’
A ‘Operação Contenção’, realizada em 28 de outubro de 2025, registrou um número recorde de mortes no Rio de Janeiro. O balanço oficial da Secretaria de Polícia Civil apontou 119 mortos, sendo 115 suspeitos e quatro policiais. Este índice superou o dobro do registrado na operação do Jacarezinho em 2021, que teve 28 mortes.
A ação contou com mais de 2,5 mil agentes e visava prender lideranças criminosas e combater a expansão do Comando Vermelho. O governo estadual classificou a operação como a maior integração das forças de segurança em 15 anos, resultando na apreensão de 91 fuzis, 26 pistolas, 14 artefatos explosivos e toneladas de drogas.
OEA acompanha implementação de recomendações
O órgão agradeceu a abertura do Estado brasileiro ao escrutínio internacional e informou que continuará monitorando a implementação das recomendações apresentadas. O objetivo é assegurar que o equilíbrio entre a segurança pública e os direitos fundamentais seja mantido.
Fonte: G1
